12 agosto, 2012

A Honra aos Pais


O significado de gratidão para com os pais que estão sempre presentes em nós!

por Milene Siqueira

Mãe e Pai tem um significado muito especial para cada um de nós! Alguns os conheceram, outros não, alguns tiveram mais harmonia na relação e outros bem menos. Pode ter restado mágoa, desentendimentos profundos ou histórias de separações, abandonos, ausências... 
No vínculo pai-mãe é praticamente impossível se pensar em total estabilidade, pois é através da inconstância que o nosso próprio centro é encontrado, enquanto vamos crescendo física e emocionalmente. Um desafio, porque enquanto se é criança não há como lidar com certos processos, mas que são parte essencial da ordem natural de amadurecimento e de reconhecimento que deverá no decorrer da vida fazer parte do processo de amadurecimento. 
O problema é que nem sempre essa nossa criança cresce além do físico... (e esse tema fica para outra oportunidade)


O primeiro sentimento de gratidão deve ser direcionado aos pais biológicos, independente de terem sido conhecidos. Porque é através da mãe e do pai biológicos - que foi possível nosso ingresso terreno. Se estes nos criaram, olharam para nossas necessidades, foram dignos da nossa admiração ou não, já é outra história e que merece nosso respeito e gratidão também - independente de como tenha sido.
- Agradecer independente dos meus ressentimentos, ou do meu abandono sofrido?
- Sim.
Quem sustenta o pensamento de mágoa, sustenta igualmente a crença do Efeito sobre a Causa, e inverte-se a ordem da Natureza (causa precede um efeito). Consequência: conflito, e então dor, falta. 

São os pais biológicos a nossa raiz com a vida, com o pertencer. 
É da gratidão e consequente reconhecimento à esta matriz - pela vida que nos foi concedida - que nos sentimos incluídos, ancorados.

Em seguida vem a gratidão para o papel dos pais da criação (independente de terem sido os próprios pais biológicos, adotivos, parentes ou pessoas através das instituições que a fizeram) são estes que nos deram condições de sustento e de aperfeiçoamento, tornaram-se pais no sentido mais carinhoso da palavra. Se houveram dificuldades no relacionamento, também deve-se ter igual gratidão, pois isto proporcionou (ou deveria ter...) força, desenvolvimento. No mais, se não aprendemos com o que recebemos, o problema é todinho nosso. 

Para o sentido da existência na vida, é o vínculo da hereditariedade o significativo. Para as condições de sustento da vida é o vínculo dos pais afetivos o significativo. Um não exclui a importância do outro, mas não havendo a vida, exclui-se o seu sustento - por isto a primeira gratidão é aos pais biológicos.

Havendo aceitação e gratidão, os vínculos tornam-se fortes afim de que o fluxo retome seu curso, principalmente na integridade de todas as parcerias que serão construídas durante a vida.

Dentro de nós estão a mãe e o pai biológicos, em nossas feições, genética, dons - os filhos refletem os pais. Dentro de nós também estão os pais afetivos, através dos exemplos, comportamentos, emoções e sentimentos (e portanto, mesmo quando ausentes neste plano continuam presentes em nós). Se existir raiva, mágoa, ingratidão ou exclusão, estaremos bloqueando a própria energia vital em nós mesmos.

Veja que tudo está interligado. Os filhos são resultado da unidade dos pais e assim continuam sendo para o filho, por esta razão, quando um julgamento se dirige a um dos pais o outro não é isento. Também pode haver desmedida proteção a um dos pais, vendo um como culpado e ao outro como vítima, tal julgamento comumente nos faz repetir a história da imagem de "vítima", projetando "culpados" -, e que acontece sem que se perceba conscientemente, isto cumpre uma ordem oculta até que despertemos para o Amor que integra a tudo.

Abaixo um texto de Bert Hellinger, o criador do sistema de Constelação Familiar, que explana a importância de gratidão aos pais:


Aceitar plenamente os pais - tomar a vida.

por Bert Hellinger

Direi primeiro alguma coisa sobre as ordens do amor entre pais e filhos e, do ponto de vista da criança, isto é, do filho para com seus pais. Aqui menciono algumas verdades banais. Elas são tão óbvias que eu quase me envergonho de citá-las. Não obstante, são freqüentemente esquecidas.

O primeiro ponto é que os pais, ao darem a vida, dão à criança, nesse mais profundo ato humano, tudo o que possuem. A isso eles nada podem acrescentar, disso nada podem tirar. Na consumação do amor, o pai e a mãe entregam a totalidade do que possuem. Pertence portanto à ordem do amor que o filho tome a vida tal como a recebe de seus pais. Dela, o filho nada pode excluir, nem desejar que não exista. A ela, também, nada pode acrescentar. O filho é os seus pais. Portanto, pertence à ordem do amor para um filho, em primeiro lugar, que ele diga sim a seus pais como eles são - sem qualquer outro desejo e sem nenhum medo. Só assim cada um recebe a vida: através dos seus pais, da forma como eles são.
Esse ato de tomar a vida é uma realização muito profunda. Ele consiste em assumir minha vida e meu destino, tal como me foi dado através de meus pais. Com os limites que me são impostos. Com as possibilidades que me são concedidas. Com o emaranhamento nos destinos e na culpa dessa família, no que houver nela de leve e de pesado, seja o que for.
Essa aceitação da vida é um ato religioso. É um ato de despojamento, uma renúncia a qualquer exigência que ultrapasse o que me foi transmitido através de meus pais. Essa aceitação vai muito além dos pais. Por esta razão, não posso, nesse ato, considerar apenas os meus pais. Preciso olhar para além deles, para o espaço distante de onde se origina a vida e me curvar diante de seu mistério. No ato de tomar os meus pais, digo sim a esse mistério e me ajusto a ele.
O efeito desse ato pode ser comprovado na própria alma. Imaginem-se curvando-se profundamente diante de seus pais e dizendo-lhes: "Eu tomo esta vida pelo preço que custou a vocês e que custa a mim. Eu tomo esta vida com tudo o que lhe pertence, com seus limites e oportunidades". Nesse exato momento, o coração se expande. Quem consegue realizar esse ato, fica bem consigo, sente-se inteiro.
Como contraprova, pode-se igualmente imaginar o efeito da atitude oposta, quando uma pessoa diz: "Eu gostaria de ter outros pais. Não os suporto como eles são." Que atrevimento! Quem fala assim, sente-se vazio e pobre, não pode estar em paz consigo mesmo.
Algumas pessoas acreditam que, se aceitarem plenamente seus pais, algo de mau poderá infiltrar-se nelas. Assim, não se expõem à totalidade da vida. Com isto, contudo, perdem também o que é bom. Quem assume seus pais, como eles são, assume a plenitude da vida, como ela é.


Usando a sensação dos aromas neste tema



Algumas dicas de óleos essenciais que vão ajudar a nos harmonizar com a mãe e pai internos:

Arquétipo do Pai: oe olíbano - segunda opção: oe cedro

Arquétipo da Mãe: oe manjerona - segunda opção: oe camomila

Sentimento de abandono, e falta do amor materno: oe palmarosa, oe gerânio.

Pai distante, frio, excessivamente autoritário: oe limão.

Use os oes em meditações, em sessões de EFT, em trabalhos terapêuticos, ou usando por alguns dias em colar aromaterápico. Lembrando que são sugestões e que você pode escolher outros oes, seguindo sua intuição - até porque outro oe pode ser mais significativo à sua história pessoal, e se estiver na intenção do trabalho terapêutico saberá escolher o mais adequado.


Um pouco de observação teórica
A importância familiar é constante, mas no primeiro setênio que vai da concepção até os 7-8 anos, são refletidos nas crianças, principalmente, os sentimentos e emoções da mãe ou da figura materna que a substitua. Depois, até os 14 anos, a criança reflete às emoções e sentimentos do pai que a cria, se este foi ausente, considera-se a figura masculina que esteve mais próxima. 
Se você lembrar destes dois primeiros setênios, poderá até perceber diferenças significativas de comportamento, o que possa ter sido absorvido dos pais na construção da personalidade, e que você repete hoje. Se perceber algo, "receba", agradecendo aos dois, a mãe e ao pai, e demais envolvidos se houver.


* Veja sobre formas de uso. Veja sobre precauções. Saiba mais sobre óleos essenciais: Arom'Arte.

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Porque tudo é amor, a aceitação é a chave. E quanto mais "integramos" através da aceitação e da gratidão pelos antecessores familiares, paradoxalmente mais nossa individualidade estará livre para trilhar seu próprio caminho de felicidade. 

E neste 12/agosto, meu desejo de um Feliz Dia dos Pais!

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