31 janeiro, 2017

Medo... que dá medo do medo que dá!

por Milene Siqueira

*com trechos da música Miedo, de Lenine.

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Medo.

Temos o medo básico, inato, do físico. Este assusta pouco, porque faz parte da sobrevivência humana.
E tem medo adquirido de todo nome, tipo e tamanho. Dos medinhos às fobias - ao Pânico, o medo de ter medo.



Medo... que dá medo do medo que dá!*


Ganhe na loteria e medos que você jamais imaginou poderão surgir num segundo.
Se apaixone e o medo vem colar do ladinho.
Porque o medo é da identidade humana o seu apego.
E ao invés de compreender o medo, tentamos fugir ou combatê-lo. Firmamos contratos, assinamos papéis, construímos muros, afastamos pessoas, buscamos ajudas de eliminação ou criamos rotas de fuga. Fugindo ou amarrando, "protegendo", damos nós bem apertados, apartamos. E sufocamos! E mais medo e ramificações do medo surgem...

O medo se fez das imagens observadas, absorvidas de outros medos; do movimento, da percepção do ambiente, dos gestos, das palavras mal e não ditas por medo; das pessoas excluídas por temor/vergonha; das vozes alarmantes e dos pensamentos sombrios; e também daquelas promessas "seguras" que por medo foram compradas. E que agora são pagas no relapso, na embriaguez, na estupidez, na morbidez..., afastando-o do que seu coração pode, sonha, anseia.


Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão


O medo não é exatamente meu, nem seu. Mas se torna do "eu", do "meu", da identidade e da posse (apego).

O medo é domínio do aglomerado - da memória, das imagens, do tempo, da fala, dos sentidos, das ações, da matéria, do mundo, de todo mundo. E nisso, de tudo aquilo que foi "por medo" de alguma maneira excluído - que ficou "mal-dito".



O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão


Indecisão, onde nenhuma aposta é feita, que deflagra medos escondidos nos subterrâneos da mente.
Medos que se escondem, medos disfarçados, medos sem nome... dos males, estes os piores.

E aquele medo chamado de amor e zelo? Da verdade que você esconde de você mesmo - que finge que faz o que faz - não pelo amor mas sim pelo medo. 

Não tem jeito, todo negativo se resumirá ao medo. 


Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar


Medo é estar preso aos dois extremos. Um pé de cada lado. 
O medo de ir é o de ter que ficar. O de ficar é também o de ir.
Como ganhar é ter de perder...

No corpo o medo não é o desconforto. Desconforto é localizado, pode aparecer no peito, ou como sensação de que algo não se encaixa pra você, mas há lucidez. O medo te toma inteiro, é emocional, turvo, confuso.

E cuidado, não vá confundir! O cuidado não é o medo. Mas se falta ou excede, cuidado! Aí medo ele é! 


O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar


O medo esconde, divide. Afugenta, acorrenta.
O medo junta, acumula. E ao suficiente chega nunca...
O medo cobra, exige, aflige.
O medo é esforço, luta, cansaço.
O medo adia e tem pressa. Ânsia e deprime.
O medo põe de lado, desvia o olhar, exclui e aniquila.


O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor


O medo é a medida da falta.
O medo é o preconceito, a violência, inveja, ciúmes, ganância, soberba, vaidade, luxúria.
É a gula e a preguiça desmedida. É o roubo e a avareza. 
Tipos de medo, que são frutos do próprio medo. 
Erradicar a violência, por exemplo, não é atacando-a, mas revelando os medos. Para daí então mudar as formas que o medo criou.



O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor


Os medos visíveis nascem dos medos invisíveis, ou talvez, de um único medo sem nome.

Todo medo teve origem em outro medo. Nasceram do medo de abandonos, rejeições, vergonhas, resistências. Portanto medos pedem por aceitação. Entenda que o que é aceito é para ser mudado, liberado, integrado e não "carregado". Só carregamos aquilo que não foi aceito.
E medos escondem medos. Se não é aceito, o medo além de continuar escondendo outros medos, não permite que a origem se revele. Continua lacrado, escondido e dando medo. E medo escondido é forte, sorrateiro, comanda e pega a gente do nada, e age onde nem imaginamos.

Fale sobre, escreva, desenhe ou cante, e atravesse os medos. Revele-os. "Ben-dite-os". 
A humildade para aceitar e revelar o medo é uma necessidade.

Tente sentir onde o medo habita no seu corpo, e imagine inspirando partículas de amor e expirando as emoções, dores e pesos, deixando com que as sensações que fizeram seu corpo emocional se armar de uma falsa coragem - as couraças - relaxem.

Lembre-se sempre que o dá forma ao medo é o pensamento. Por isso, vigie e não fique ligado a pensamentos de medo. Deixe as negatividades passarem para não arranjar novos medos, e nem fique polindo os antigos! Aceitar o medo significa libertar e não continuar apegado. 
Alimente o bem, a união, o centro, o coração, a paz.

Silenciar a mente, observar o medo, aceitá-lo, desapegar, cultivar a fé no Bem - eis o processo.

Abra as portas para o medo... aquele, rs... que dá medo do medo que dá!



Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá





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