01 fevereiro, 2017

Confiança... além dos fios...

Por Milene Siqueira


"Quando o coração se torna inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? Não pode ser levado, não há possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro"
Osho


Será que é a confiança que nos dá suporte aos medos?

Mas não seria pela quebra da mesma confiança também uma das razões dos nossos medos?

Con-fiança... Com fios - que se lançam na direção de alguém ou de algo.

Lembrei de uma amiga que para fazer tratamento dentário, antes ela precisa chegar e abraçar o dentista. Abraço que diz "eu tenho medo e espero poder confiar em você". 
Aquela mão que segura a nossa na turbulência do avião, num parto...
Faz diferença? Ah, faz. A gente revela nossa insegurança e se sente amparado por um instante que seja.

Contar um segredo a quem se confia. Dividir a vida com quem se confia... 
Mas nessa confiança que dura mais que um instante... mora um problema: a expectativa.
As imagens que temos sobre o outro nem sempre são reais (principalmente quando as imagens sobre nós mesmos são ainda tão nubladas), e as expectativas vão se somando nas projeções. E dai... quase sempre inevitavelmente a gente se vê na rua da amargura. E depois??? Como confiar novamente?
(curioso é que a confiança pode não existir mais, mas as expectativas resistirão!)

Até confiar em nós mesmos fica difícil quando traíram nossa confiança. Afinal a gente se enganou, não foi?

A confiança no resultado das nossas ações. A confiança em Deus... 
Mas e se os resultados saem diferente do esperado? Desconfiamos de nós?
E se passamos por uma difícil provação? Brigamos com Deus?
Puxa... vira e mexe vemos nos noticiários pessoas, circunstâncias, empresas, partidos... tudo parecia tão sólido e confiável... e os castelos desabam diariamente.

A confiança requer ir além desses fios... 
A confiança é uma entrega. Entrega de que tudo está certo, ainda que os resultados mudem, que as dificuldades surjam, que o outro lhe traia a "confiança", que a casa caia.
Afinal a expectativa é nossa, é do pequeno eu. E tudo que de fato acontece é a engrenagem correta da vida, visando nosso "despertar" - num ensinamento que é o que de fato importa.

Não acredito que os medos surjam dos problemas da confiança. Acredito que estejam além disso num sistema de exclusões, e que uma quebra de confiança pode apenas delatar o medo.

Se confiássemos pra valer... não temeríamos a nada, já que o que fosse que fosse acontecer seria sempre o melhor para nós naquele momento.
Mas ok, eu sei... somos humanos... e ainda desconfiamos porque vira e mexe esquecemos. Nosso corpo emocional se abala e damos crédito à mente, no pequeno eu. 
Se confiar ainda dá medo, o melhor que podemos fazer por hora é não fingir que não temos medo.
Mas não desista nunca de confiar! 

E falando nos óleos essenciais, são os amadeirados (como cedro, sândalo, breu, olíbano,copaíba) e terrosos (como vetiver, patchouli, túrmerico, etc) e também os árboreos (como cipreste, espruce, junípero, pinheiros, tea tree), que ajudam a desenvolver a força interna e relembram ao nosso Ser sobre confiança.

O autoconhecimento e agir com honestidade ajuda na confiança. Porque se somos verdadeiros conosco acreditaremos que o outro também seja. Se enxergamos a nós sem máscaras, passamos a ver o outro com transparência. Tudo é um espelho. E se vemos com verdade, sem enganos. E sem expectativas= sem decepções.
E caso a gente se engane, melhor voltar o olhar para si. Dar uma boa olhada nos medos e ver o que há por trás deles, o que não foi esquecido, perdoado, aceito.

Respondendo a primeira pergunta... Sim, é na confiança que os medos ficam pequenos.

Refletindo sobre confiança nestes dias, lembrava da cena abaixo... o lançar-se sem fios...
Pois é, a confiança mora dentro - no coração - bem além dos fios visíveis do pequeno eu.



Confie apesar de todas as dúvidas


Osho

         Buda diz: Faça o que você tem de fazer resolutamente... Mas, por resolução, ele não quer dizer vontade, como o significado comum nos dicionários. Buda é obrigado a usar as palavras de vocês, mas ele dá um novo significado às suas palavras. Por ‘resolução’ ele quer dizer “a partir de um coração decidido” – não a partir da força de vontade, mas a partir de um coração decidido. E lembre-se: ele enfatiza a palavra ‘coração’, não a mente. Força de vontade faz parte da mente. Um coração decidido é um coração sem problemas, um coração que não mais está dividido, um coração que chegou a um estado de tranqüilidade, de silêncio. Eis o que ele chama de “um coração decidido”.
        “Faça o que tem de fazer resolutamente, com todo o seu coração.” Lembre-se da ênfase no coração. A mente jamais pode ser uma – por sua própria  natureza ela é muitas. E o coração é sempre um – pela sua própria natureza ele não pode ser muitos. Você não pode ter muitos corações, mas você pode ter muitas mentes. Por quê? Porque a mente vive na dúvida e o coração vive no amor. A mente vive na dúvida e o coração vive na confiança. O coração sabe como confiar – é a confiança que o torna um. Quando você confia, de repente você fica centrado.
        Daí a significância da confiança. Não importa se sua confiança é na pessoa certa ou não. Não importa se sua confiança será explorada ou não. Não importa se você será enganado por causa de sua confiança ou não. Há toda a possibilidade de você ser enganado – o mundo é cheio de enganadores. O que importa é que você confiou. É a partir de sua confiança que você se torna íntegro, o que é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Não é uma questão de que primeiro você tem de estar certo se a pessoa é digna de confiança ou não. Como você estará certo? E quem vai pesquisar?
        Será a mente, e a mente sabe somente como duvidar. Ela duvidará. Ela duvidará mesmo de um homem com Cristo ou Buda. Ela não pode nem ajudar a ela mesma.
        Assim, lembre-se: confiar não quer dizer que primeiro você tem de pesquisar, que primeiro você tem de deixar as coisas certas, garantidas e, então, confiar. Isso não é confiança, isso realmente é dúvida – como você esgotou as possibilidades de duvidar, daí você confia. Se uma outra possibilidade de dúvida surgir, você duvidará novamente. Confie apesar de todas as dúvidas, apesar do que o homem é ou do que o homem vá fazer. Isso é do coração, vem do amor.
        Quando você confia e ama com um coração decidido, isso traz transformação. Então, você nunca hesita. A hesitação simplesmente o mantém aos pedaços.
Dando um salto quântico, sem nenhuma hesitação ou apesar de todas as hesitações, você se torna íntegro. A hesitação desaparece, você se torna um. E tornar-se um significa libertar-se - libertar-se da própria multidão estúpida que existe dentro de você, libertar-se de seus pensamentos e desejos e memórias, libertar-se da própria mente".
            





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