O não saber dizer NÃO é uma das facetas da baixa autoestima*, que citei no post AutoEstima - O afeto que mora do lado de dentro. Agora trato mais especificamente desta dificuldade.
*Lembrando que autoestima é a possibilidade ética de gostar de si próprio. A procura pela estética é substituída como artifício para quem não se aceita, não se gosta, não se respeita. A estética é importante, mas não resolve como substituição, não se "compra" autoestima.
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Não são poucas as pessoas que não sabem dizer NÃO.
E quando o querem, tremem, suam frio só de pensar. Tentam, balbuciam e na hora acabam dizendo um SIM quando o que queriam mesmo era dizer com tranquilidade um NÃO.
Outros, quando conseguem, ficam péssimos por terem negado algo, e aí o pesar da culpa logo aparece (culpa que é só outro disfarce para continuar se sentindo especial!).
Ou ainda fogem de situações por temerem ter que dizer um NÃO e preferem pagar pelas consequências da ausência, do que fazer uma colocação que esteja alinhada com seu querer.

Tememos dizer NÃO quando a aprovação ainda está fora de nós - apoiada no reconhecimento de si pelo outro. Há dependência, falta/carência. Vulnerabilidade.
Existe no fundo uma arrogância desconhecida, que pode estar disfarçada de timidez. É o jogo sutil da "superioridade x inferioridade".
O tempo projetado também é um fator da vulnerabilidade - pois um NÃO hoje nos parece um ataque no amanhã, e a vulnerabilidade da "NECESSIDADE" aparece como um fantasma.
Outro fantasma que ronda o medo de dizer o NÃO é a VANTAGEM. Nos sacrificamos por uma vantagem que nossa mente imagina. Pode ser a "garantia" de uma ajuda, dinheiro, prestígio, seguridade, afeto. Esqueça a vantagem mental se a mesma não estiver no seu coração, porque nenhum SIM "mal dito" lhe dará qualquer vantagem real.
Quanto medo de ferir, de perder. Mas o medo maior é de ser ferido também... é que quem não aceita os NÃOs que a vida disse (fruto das expectativas) somos nós próprios - a ferida está aberta.
Quanto medo de ferir, de perder. Mas o medo maior é de ser ferido também... é que quem não aceita os NÃOs que a vida disse (fruto das expectativas) somos nós próprios - a ferida está aberta.
Para justificar nosso mau estar em dizer NÃO, nos corrompemos com uma explicação em geral bem "bonitinha": que é por amor; que é por bondade; que é para não magoar o outro; que é para garantir vaga no céu; que é por você ser tão sensível ao problema alheio; que é pelo outro ser tão indefeso e precisar taaaanto de você; que é para não atrair coisas ruins; que é por educação; que é pelo outro ser idoso; por ser criança e precisa ser poupado devido à sua ausência ou dos problemas, e por aí afora... No fundo só prepotência!
O fato é que cada vez que queremos ou precisamos dizer um NÃO mas o trocamos por um SIM, nos sentimos também superiores, afinal vestimos o Importante e o Amado. Só que além de temporário, o preço é a nossa Vida (e a do outro) a estar dividida e iludida, ou inteira/íntegra, real.
É sim... a vida do outro também... é como o mandamento bíblico só que invertido: "desame ao próximo como desama a si mesmo".
Podemos estar atrasando a vida alheia tomando o tempo do outro, quando não somos honestos com nossa verdade, por exemplo.
Pais que não sabem dizer NÃO estão criando adolescentes e adultos que acham que tudo podem, testando na sociedade os limites educacionais que não receberam em casa (e essa é apenas uma das consequências) - infelizmente estes pais carecem de autoestima também.
E SIMs que exigem sacrifícios pessoais dos quais você cria um duelo silencioso contra si mesmo - entre seu corpo e sua alma.
Há ainda uma outra justificativa que pode aparecer antes ou depois para te acalentar já que você não conseguiu agir conforme seu sentimento: o egoísmo. O egoísmo soa como um palavrão aos nossos ouvidos, ele é feio moralmente né? Só que poucos entendem o que significa essa palavra de fato. Deixar de nos respeitarmos em prol do outro é exatamente ao contrário. Se você diz SIM com medo de deixar de ser importante isto é do EGO, isto é portanto egoísmo.
Há ainda uma outra justificativa que pode aparecer antes ou depois para te acalentar já que você não conseguiu agir conforme seu sentimento: o egoísmo. O egoísmo soa como um palavrão aos nossos ouvidos, ele é feio moralmente né? Só que poucos entendem o que significa essa palavra de fato. Deixar de nos respeitarmos em prol do outro é exatamente ao contrário. Se você diz SIM com medo de deixar de ser importante isto é do EGO, isto é portanto egoísmo.
Outras vezes nem sabemos o que queremos porque estamos há tanto tempo desconectados de nós - do nosso corpo principalmente -, camuflados pelo outro, pelas crenças, pelos condicionamentos, pela propaganda, que vamos fazendo o que não queremos mas sem uma noção clara deste não querer. Mas nos sentimos desconfortáveis, deslocados, doloridos. É o senso maior do dever, quando vai muito além do que se deve de fato para o momento atual e que vai embotando nossos sensos. Nesse estado, a noção de limites é bem confusa. Há possivelmente muitos exageros compensando faltas. Perde-se tempo porque não há foco, já que há muitos SIMs para agradar a muitos. Falta clareza do que é seu ou é do outro, quem é você, quem é o outro. Costuma atrair para sua vida figuras que reafirmam a identificação mais forte que assegurem a subsistência da sua "imagem", ainda que sofrida. Mas para o corpo não tem enganação, ele avisa e reclama clamando por você. Dói, faz pressão, angustia.
A cada vez que não lidamos com a verdade do nosso temperamento, do nosso EU, impondo o que sentimos de uma maneira natural - o sistema imunológico diminui, e ao contrário do que almejávamos como ter segurança, é mais vulneráveis que ficamos. A nossa defesa/a imunidade que deveria estar do nosso lado, imagine...!

Mas para piorar, na maioria das vezes, essa cobrança é inconsciente. E como o SIM não atende às suas expectativas, a frustração o acompanha, assim como uma insistência na vida por este SIM. Você pode trocar de situações, de pessoas e de ideologias, mas não percebe o objetivo. Como continua procurando para fora de si, o sofrimento permanece.
Quem não sabe dizer NÃO também não sabe dizer SIM, ou melhor dizendo, não o reconhece.
Vivemos num mundo onde a negação e a desistência são vistas como derrota, fracasso. Não são. Nós desistimos porque o sentimento pode falar mais alto onde antes não estava sendo ouvido. Podemos desistir porque assumimos o respeito pelos nossos limites.
Vivemos num mundo onde a negação e a desistência são vistas como derrota, fracasso. Não são. Nós desistimos porque o sentimento pode falar mais alto onde antes não estava sendo ouvido. Podemos desistir porque assumimos o respeito pelos nossos limites.
E citando como observação que há aqueles que nasceram para responder muitos SIMs, que tem o temperamento da ajuda, da caridade real, que o fazem conectados com seu Ser. Que respondem SIM por nenhuma vantagem (financeira, moral, social, futura, etc), por nenhuma necessidade, sem qualquer duelo interior. Estes em geral educam com amorosidade e com limites. São disponíveis sem invadirem, respeitam ao outro e são fiéis a si mesmos. São pessoas muito especiais, raridades.
E por fim, vivemos num país de corrupção. Vemos as enganações pequenas dos mais próximos, e as grandes como do país e especificamente dos políticos, e nos indignamos. E assim nos exaltamos um pouco, afinal reverbera em nós alguma semelhança, e nos alivia saber, olhar, falar, apontar o dedo, afinal.. há pecados maiores que os meus, há mentiras e vantagens bem maiores que as minhas... ufa...! E disfarçamos por um tempo nossa fragilidade, adiamos nossas verdades que teríamos com o conhecimento sobre a vida e sobre nós mesmos. Deixamos pra lá nossa auto-responsabilidade e permanecemos no condicionamento de ir culpando e assumindo o papel de "corajosos" covardes - defensores dos fracos e oprimidos - sem saber que propriamente é que o estamos!
Como dizer o que você sente?
"Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der." - Carl Gustav Jung
- É preciso notar os desconfortos ao invés de negá-los ou aplacá-los, deixe seus sintomas comunicarem o que estão gritando em você. Silencie para ouvi-los, você pode usar a condução da meditação ou conversar com seu corpo, mas precisa mergulhar em si. Outra boa prática muito simples que surte efeito e insights é o EFT.
- É importantíssimo se auto-observar primeiro, usar algum método terapêutico por um tempo... para conhecer-se e saber quem anda respondendo por você, saber dos personagens que o ego construiu, os condicionamentos que imperam, os "tem que" a que você tem dado ouvidos, para que suas respostas estejam o máximo possível alinhadas com seu sentimento. E descobrir a quem você anda protegendo de ser ferido: é o homem/a mulher, ou é a criança? A vítima? Houve vítima ou expectativas irreais, exageradas? Para seu próprio bem, pergunte-se: você é capaz de perdoar não o outro, mas a si próprio - as expectativas que imaginou?
Pelo menos tendo começado as 2 etapas anteriores, continue:
- Não seja impulsivo. Evite responder no ato, diga que precisa analisar. E separe um tempo para "fazer contato". Deixe todas as "vantagens" de lado que sua mente irá encontrar e conecte-se ao seu coração e sinta qual é a resposta. Este é um treino por um tempo, depois conseguirá saber e responder no ato. Ou use o sincero: Não Sei!
- Atue apenas no Agora, esqueça o passado, não use condicionamentos, percepções passadas. Não se projete ao futuro, temendo consequências ruins. Esteja por inteiro no presente e responda à verdade da sua alma - ela é seu mais fiel guia.
- Preste atenção à sua voz, use o seu tom normal quando precisar dizer NÃO. Respire. O tom com que falamos é por vezes muito mais agressivo do que aquilo que dizemos. Não há normalmente necessidade de gritos e imposições, isso só denota uma superioridade e falta de firmeza.
- Não invente desculpas. Apenas diga NÃO. NÃO quero. NÃO vou. NÃO preciso. NÃO estou preparada nesse momento, etc. Mas agradeça se necessário. O simples fato de pensar em inventar uma desculpa é insegurança, e aquela culpa estará prestes a surgir. Além do que, a exposição de uma verdade não justifica uma mentira.
- Nas situações simples, evite explicar. Sentimento é inexplicável e você achará ou estará inventando coisas sem muito sentido.
- Deixe as emoções de lado para conversar. Um NÃO é simples como um SIM, só que enquanto o SIM abre espaço, o NÃO delimita.
- Dizer NÃO nas situações de relacionamentos e parcerias é em comum bem mais delicado, na verdade porque o explicar é que se torna complicado. Parecemos estar ferindo o outro, mas em geral você está mexendo com os ideais que o outro construiu e que provavelmente sejam irreais também, porque para uma coisa ser funcional, é necessário acordo e sentimento mútuo. Se você está certo sobre o que sente, precisa expôr para chegar a acordos. Procure não ficar ansioso, fixe-se ao presente e converse francamente.
- Esqueça o que os outros irão pensar ou fazer, isso já não é problema seu.
- Abandone as comparações, elas apenas alimentam a baixa autoestima e a culpa. Cada um tem e precisa seguir seu próprio caminho.
- Observe a raiva que você sente, as frustrações do dia a dia. Esqueça o motivo que gerou a raiva e entre nela, aprofunde-a até saber o que a contém. Aí volte e observe o fato, geralmente ele vai lhe dizer que a raiva que você sente pelo motivo X é o mesmo que você pratica mas de outra maneira, mas isso é mais difícil de ouvir/aceitar. Entrando na raiva sem o motivo, fica mais fácil.
- Perceba os noticiários e programas onde você coloca sua atenção. Perceba o quanto há de divertimento ou de indignação exaltada. É razoavelmente normal nos sentirmos indignados perante às injustiças, mas se lhe afeta exageradamente preste atenção com o que e onde reverbera no seu interior.
- O medo de perder algo ou alguém ou uma oportunidade, deve dar lugar a confiança de que nada do que é realmente uma ligação valiosa e necessária para sua experiência se perde. Não se torne importante, se torne Você!
- E por fim, leia mais dicas sobre autoestima, que incluem a ética (educação dos limites) e compaixão (o olhar não exigente), e compreenda melhor sobre essa palavra que anda meio deturpada na sociedade: AutoEstima! (clique aqui).
Óleos Essenciais, a valiosa ajuda dos aromas
A indicação de óleos essenciais permanece a mesma deste post aqui, complementando o post inicial (AutoEstima - O afeto que mora do lado de dentro).

É importante usá-la de preferência em colar aromaterápico por 10-15 dias em sequência diária, pois a mensagem vibratória da Bergamota vai sendo assimilada aos poucos e você vai descobrindo o que significa esta AutoEstima, que é o pleno contato com seu EU de modo bem natural. Pode ser que tudo volte quando você parar de usar?
Pode sim, depois de algum tempo. O óleo essencial é um facilitador, as mudanças é você quem faz, ou melhor, desfaz-se dos condicionamentos. Mas se voltar, continue usando com intervalos de alguns dias de descanso, para que você vá associando esta vibração à sua e fazendo em paralelo mudanças e afirmações da pessoa única que é você para sua vida!
Ou para continuidade pode optar por usar em massagens, banhos, ou demais composições que a contenham.
A Bergamota é também um excelente antidepressivo, suave calmante e moderador de humor. Leia mais aqui sobre esta e outras indicações.
Saiba mais sobre Aromaterapia: www.aromarte.com.br
Adquira Óleos Essenciais: www.aromarte.com.br/loja.htm
Imagens que ilustram este post: Christian Schloe
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Imagens que ilustram este post: Christian Schloe
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2 comentários:
Incrível! vim pelo desodorante e me deparo com o que eu precisava saber e que em 12 sessões de terapia não entendi. Muito obrigada.
Incrível! Vim pelo desodorante e me deparo com o que eu precisava entender, e que em 12 sessões de terapia não tinha conseguido. Muito obrigada.
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