29 novembro, 2019

Simplificar

“'Simplificar, simplificar, simplificar.'

 Estas refrescantes palavras escritas por Henry Thoreau recordam-nos de que muito do nosso sofrimento vem de adicionarmos complicações desnecessárias às nossas vidas. Parece que estamos continuamente a tecer elaboradas redes conceptuais, mesmo que à volta de eventos simples. Nós distorcemos a realidade, e envolvemo-la com complicações ao lhe sobrepormos construções mentais fabricadas. Estas distorções inevitavelmente levam a estados mentais e comportamentos que minam a nossa paz interior, assim como a de quem nos rodeia.

Quantos projetos humanos e causas nobres falharam simplesmente devido a complicações desnecessárias! Nós precisamos simplificar os nossos pensamentos, simplificar as nossas palavras e simplificar as nossas ações. Precisamos evitar cair em ruminações mentais circulares, conversas sem sentido, e atividades vãs que desperdiçam o nosso precioso tempo, e geram todo o tipo de situações disfuncionais.
Ter uma mente simples não é o mesmo que ser ‘básico’. A simplicidade da mente reflete-se em lucidez, em força interior, em vivacidade e num contentamento saudável que resiste às tribulações da nossa vida com um coração leve. A simplicidade revela a natureza da mente por detrás do véu de pensamentos irrequietos. Reduz o sentimento exagerado de auto-importância e abre os nossos corações ao altruísmo genuíno."

 —Matthieu Ricard, In Praise of Simplicity (https://www.matthieuricard.org/en/blog/posts/in-praise-of-simplicity--2)

21 novembro, 2019

Novo Blog - Sentidos - Psicoaroma!


Dias desses olhei aqui para o blog... e achei que ele não fazia mais muito sentido... rs
Ok...  faz um tantinho! Mas a gente muda e aos poucos vou alterando coisas por aqui...

Então, fiz um novo Blog - onde estarão contidos apenas sobre os óleos essenciais mais específico a psicoaromaterapia e as emoções! Já repassei alguns artigos daqui para lá e outros. Confere lá?

www.psicoaroma.blogspot.com



06 novembro, 2019

O mindfulness é a espiritualidade do capitalismo


Em entrevista à VISÃO, Ronald Purser defende que "o mindfulness retira das empresas a responsabilidade pelo stresse que causam e coloca-a nos indivíduos, como sendo algo com que estes têm de aprender a lidar"

Depois de uma troca de emails, combinámos a entrevista para quando Ronald Purser, 63 anos, voltasse de um retiro. Este docente de Gestão na Universidade de São Francisco, na Califórnia, é budista, faz meditação e é professor de Zen Dharma, ordenado, em 2013, pela Korean Zen Taego, uma ordem do budismo, religião que estuda desde 1981. Autor de oito livros (incluindo How Mindfulness Became the New Capitalist Spirituality, editado este ano) e de múltiplos artigos científicos, Ronald Purser é muito crítico do mindfulness que se pratica no mundo ocidental, especialmente no âmbito empresarial. Os seus argumentos são claros: as pessoas usam este tipo de meditação para aprender a lidar com o stresse, stresse esse que é causado pelo contexto laboral em que se inserem. Este mindfulness ao jeito de fast-food acaba por dar uma ajuda às formas mais graves de exploração dos trabalhadores, dizendo-lhes que o stresse é algo com que têm de lidar. Ponto. “O mindfulness envia a mensagem de que os indivíduos são responsáveis pela sua saúde mental, independentemente dos salários ou das condições de trabalho”, diz. Recordando que este tipo de meditação era, na sua origem, um modo de vida, “um caminho de desenvolvimento ético e moral, que levava à sabedoria e à compaixão”, Purser coloca o dedo na ferida desta sociedade obcecada por aplicações de telemóvel, nos intervalos da lufa--lufa diária. Depois de um artigo seu intitulado Beyond McMindfulness se ter tornado viral, Ronald Purser tem falado sobre o assunto em diversas entrevistas e artigos de jornais um pouco por todo o mundo. Além de o ler aqui, vale também a pena espreitar o seu podcast em mindfulcranks.com.
Os efeitos do mindfulness estão sobrevalorizados?
Sim, sem dúvida. Sobrevalorizados e vendidos de forma exagerada. O marketing vende o mindfulness como se fosse bom para toda a gente e para qualquer situação.
E é bom em qualquer situação?
Não. O problema está justamente aí. O mindfulness é vendido como se fosse uma panaceia para qualquer estado mental de ansiedade. Não é bom para toda a gente, e os estudos começam a mostrar que pode, aliás, causar ainda mais ansiedade e que a meditação mindfulness tem efeitos adversos para algumas pessoas. Mas, com isto, não quero dizer que seja completamente inútil ou desprovida de qualquer benefício.
Diz-se que um dos benefícios é que as pessoas tomam o controlo das suas emoções…
Estou mais preocupado com a forma como o mindfulness tem sido usado em determinados contextos como uma forma de controlo social. Falo, por exemplo, do ambiente empresarial, em que o mindfulness é usado como um meio de substituir o fardo, ou seja, de levar os trabalhadores a adaptarem-se e 
mesmo a assimilar determinadas condições de trabalho numa cultura empresarial que é ela própria a causa de tanto stresse. Ou seja, o ônus passa a ser dos indivíduos, e o mindfulness é usado para manter um sentimento de pertença e status quo em vez de ajudar as pessoas a, coletivamente, trabalhar para que haja mudanças estruturais nas condições de trabalho a que estão sujeitas – e assim reduzir o stresse. Assim, estes problemas laborais ficam reduzidos a uma questão individualizada, como se fosse uma questão de lifestyle com que a pessoa tem de lidar, e não uma questão social e política. Assim, focando-nos no stresse, podemos ser ensinados a ser mindful em vez de olharmos para as condições subjacentes que nos causam tanto stresse.
Como se a culpa fosse dos trabalhadores.
Certo. Retira da empresa a responsabilidade pelo stresse que está a causar e coloca-a nos indivíduos. É por isso que eu chamo ao mindfulness a “espiritualidade do capitalismo”. Se olharmos para o mindfulness promovido pelas empresas – e estas são mesmo iniciativas da gestão –, parece, na superfície, que é uma situação em que todos ganham: podemos aumentar a produtividade mantendo os trabalhadores mentalmente em forma. Mas, ideologicamente, isso funciona como um instrumento para a autodisciplina.
Porque trabalhadores felizes são mais produtivos…
Bem, isso tem sido uma ideia da gestão desde há 60, 70 anos, que vai e vem em diferentes momentos. Mas o mindfulness envia a mensagem de que os indivíduos são responsáveis pela sua saúde mental, independentemente dos salários ou das condições de trabalho.
Então diz que esta doutrina da “autorresponsabilidade” está a distrair-nos dos problemas reais…
Sim. E já há muito tempo. Houve um acadêmico (não recordo o nome) que cunhou o termo self-helpism (autoajuda), e que coloca os problemas a nível do indivíduo. Isso quer dizer que as soluções também são formuladas a esse nível. Isso molda a forma como refletimos sobre os problemas reais, colocando-os no plano do não político, privatizando a luta pelo bem-estar.
Vê-o como um instrumento de desigualdades nas empresas?
Sim, mantém as relações de poder desiguais que caracterizam as empresas e organizações capitalistas. Basicamente, reproduz estas relações de poder através da ilusão da autodisciplina.
Na opinião publicada há quem chame ao mindfulness “uma revolução”, como a Time, por exemplo. É mesmo revolucionário?
O que é que o mindfulness muda radicalmente para ser considerado revolucionário? Ao contrário, acho-o bastante conservador e harmonioso com os valores liberais.
Mas se de facto resulta, se faz as pessoas mais felizes, o que interessa que seja um “instrumento do capitalismo”, como diz?
O que quer dizer com “de facto resulta”? Em que contexto?
Se de facto reduz o stresse…
Isso é o que é apelativo no mindfulness; dizer que é uma técnica que resulta em qualquer contexto para qualquer objetivo. Ao mesmo tempo, é bastante problemático. Resulta com que propósito? O Exército norte-americano pode dizer que resulta para melhorar a performance dos seus atiradores de elite… A questão de fundo é que o movimento do mindfulness está a ser usado para dizer que é o indivíduo que tem de se adaptar às condições políticas, sociais e econômicas, que a mudança tem de ser feita dentro da própria pessoa. O que oculta a importância da ação coletiva. O mindfulness é um pobre substituto para a real mudança das organizações, agarrando nos problemas estruturais e reformulando-os como problemas psicológicos.
No entanto, parece libertador poder controlar os nossos próprios níveis de stresse.
Sim, as pessoas ficam com a ilusão de que estão realmente a fazer uma escolha usando estas técnicas. Só que os promotores do mindfulness estão ligados às empresas, às organizações, privadas e públicas. Se vendem os workshops e cursos às empresas, não vão querer tornar-se um problema para as mesmas colocando questões difíceis. Não são uma ameaça para o status quo ao dizer que o stresse pode ser gerido dentro da nossa cabeça e não interrogando as causas. 
“O stresse é privado, é um problema teu, é um fator que pode ser gerido dentro da tua cabeça” – isso é apenas uma narrativa, e muito limitada, falhando no reconhecimento do contexto da vida das pessoas. Um indivíduo não é um átomo, é também o seu contexto social e político. Por outro lado, normaliza o stresse, naturaliza-o e diz às pessoas: “Olha, o stresse é algo com que tens de lidar, então descobre por ti como lidar com ele, seja através do mindfulness, ioga, o que quer que seja.” Por isso é tão atraente para as empresas e os governos que tentam reduzir os programas e o orçamento da assistência social.
Vê o mindfulness no plano político.
Sim, tornou-se político porque individualiza todas as questões. Promove a ordem e a harmonia social dentro das empresas persuadindo as pessoas de que o stresse que sentem deve-se simplesmente à sua incapacidade de ser mindful, de controlar as suas emoções. O que pode levar um indivíduo a culpar-se por não ser capaz: “Se toda a gente parece estar a beneficiar com o mindfulness, então devo ter alguma coisa de errado.” Mas é muito popular porque é vendido com o foco no campo médico, como uma ideia de bem-estar, uma técnica terapêutica de automonitorização, autorregulação, auto-otimização. Assim é fácil de vender.
Não é consensual a cientificidade do mindfulness como técnica terapêutica?
Há uma grande diferença entre o que os média dizem e o que os artigos científicos dizem. Muitos estudos tiveram conflitos de interesses e o que se está a descobrir agora é que os resultados foram inflacionados. A verdade é que o entusiasmo pelo mindfulness está bem acima do que a comunidade científica tem dito sobre esta técnica. Vendem-no com uma aparência de cientificidade para o tornar credível. Como acontece com qualquer nova dieta que apareça no mercado. Mas não é o caso. Tem-se provado que esses estudos científicos têm inúmeros problemas metodológicos que estão a ser expostos.
Fala contra a exploração dos trabalhadores no mercado livre…
O que eu digo é que as corporações têm responsabilidade pelas condições de trabalho. Porque hão de descartar essa responsabilidade atirando-a para o campo dos problemas mentais? Além disso, ainda usam o mindfulness no campo das relações públicas. Promovendo programas para os seus trabalhadores, fá-las parecer empresas benevolentes. É como as empresas de petróleo e de químicos a aparecer em anúncios de televisão a dizer que estão muito preocupadas com o ambiente…
Estamos então a “consumir” mindfulness como quem vai almoçar ao McDonald’s?
Sim, de facto. O mindfulness é apresentado como uma cura rápida e fácil para o stresse. Como uma fast-food espiritual.
Você faz meditação…
Sim. Mas não tem nada que ver com o mindfulness que é praticado nas empresas.
E é professor de Dharma. O que é isso?
É um passo no percurso de um professor na tradição da escola budista.
É ainda possível espalhar pelo mundo o mindfulness original, na sua versão “lenta”?
Não é possível voltar atrás no tempo. Mas é importante ter consciência de que o mindfulness veio de um contexto social, cultural e político completamente diferente do que o temos agora. Apareceu há séculos na Índia e o seu propósito não era apenas tirar o stresse e fazer com que as pessoas se sentissem um pouco melhor, mas percorrer um caminho espiritual que incluía muitas outras coisas além da meditação per si. Um caminho de desenvolvimento ético e moral, que levava à sabedoria e à compaixão. O contexto original do mindfulness era baseado na libertação espiritual que pretendia reverter as causas do sofrimento dos seres humanos. Era uma tradição monástica e as pessoas dedicavam-lhe toda uma vida; e não apenas três minutos por dia através de uma aplicação qualquer. Não era sobre o “eu”; pelo contrário, era uma forma de se libertar das fronteiras do “eu”. O que vemos agora é um mindfulness como terapia centrada no “eu”, no bem-estar, algo reduzido a uma competência. É muito diferente.

Fonte: http://visao.sapo.pt/atualidade/entrevistas-visao/2019-10-27-O-mindfulness-e-a-espiritualidade-do-capitalismo?fbclid=IwAR3fZKjWdxcaefJAtMjgWWNb-46t4iXme4aNYBVqCEEJfDQYODtxfk_0gOs (Portugal)


28 outubro, 2019

A raiva - Uma virtude

Este ano, a pedido da Editora Vozes, traduzi um livro da Irmã Beneditina Joan Chittister - Entre a Escuridão e a Luz do Dia. Apaixonei! Hoje me senti obrigada a traduzir este artigo, publicado originalmente aqui.
""Falando em termos gerais", disse o Dalai Lama, "se um ser humano nunca demonstra raiva, acho que algo está errado. Há algo de errado em seu cérebro ".
Li essa afirmação e comecei a pensar novamente: o fato é que estou perturbada porque estou buscando por mais raiva do que a que estou ouvindo. O silêncio que estou ouvindo soa como uma sentença de morte.
A conversa não está fácil hoje em dia, eu sei. Está difícil conversar com alguém sobre qualquer coisa sem tocar em política. E esse é um território perigoso. Você nunca sabe que relação social poderá ser destruída. Uma amizade importante? Um relacionamento familiar próximo? A festa no quintal que acontece há anos, organizada pelo vizinho que faz churrasco? As pessoas com quem trabalha? O seu casamento?
Então ninguém fala. Todos os temas considerados importantes, interessantes e relevantes estão fora da lista. Até a política. Talvez acima de tudo, a política.
Afinal, fomos criados para sermos agradáveis. Ensinamos nossos filhos a serem agradáveis. Mas hoje, ser "agradável" é ter conversas que não levam a lugar nenhum. Nada de opiniões. Nada de novas ideias. Nada de conversas que antigamente eram cheias de brilho, educativas. A conversa, hoje em dia, simplesmente morreu, se transformou em nada. Não há muito a ser dito. A conversa "agradável" concorda com tudo, ouve, mas não busca sentido, não desenvolve ideias e não apresenta dados para abrir novos aspectos sobre o tema. Essa gentileza, esse "ser bonzinho" garante que todos nós nos tornemos hipócritas. Nós sorrimos. Não dizemos nada em contrário. Nada acrescentamos à sabedoria ou à honestidade da raça humana.
Mas "ser bonzinho" – manter o silêncio em prol da paz - não é uma virtude; ser bonzinho é, no máximo, uma fuga da realidade, a camuflagem da honestidade. E assim, não corrige nada. Não reúne as famílias, os amigos, os colegas - o país - novamente. Simplesmente aumenta a distância entre nós. Onde não há possibilidade de discutir coisas difíceis juntos, não há relacionamento a ser salvo. Quanto maior a distância, maior a pseudo-relação.
O silêncio simplesmente não está funcionando.
Parece-me, então, que precisamos de uma nova categoria de virtudes para tempos como esses. Precisamos do tipo de virtude que nos permite fazer algo a respeito do que está nos incomodando. Para resolver uma discussão, precisamos avançar nessa discussão. Então, vou sugerir algumas abordagens diferentes para estes tempos difíceis, na esperança de que, enfrentando tudo de frente, possamos de alguma forma encontrar o caminho de volta para perto dos amigos, familiares e vizinhos, com honestidade e sem rancor.
A primeira virtude que sugiro para esta era de frustração reprimida é a raiva.
Isso mesmo: a raiva.
É a raiva que inclina o eixo da terra, nos arranca da rede de dormir e nos atira no centro da realidade. Paramos de perambular pela vida.
A raiva é o que brota em algum ponto entre o antagonismo e o ódio dentro de nós. A raiva não surge para destruir. Ela surge para exigir uma resolução. Nós já sabemos que as coisas simplesmente não podem continuar como estão. A raiva demonstra essa inquietação e trabalha em direção à resolução. Ela nos mostra que alguém tem algo mais a dizer, algo que precisa ser dito, se é que queremos nos recuperar da ruptura que separa os segmentos de nossas vidas.
Melhor ainda, a raiva é o ponto em que algo mais deve ser feito se quisermos que nossos pequenos mundos particulares voltarem a se equilibrar.
A raiva, em sua forma saudável, não se destina a ser má ou cruel. Se for assim, ela é de fato inútil e fora de controle e, nesse caso, a raiva se torna o problema e não parte da solução. A raiva simplesmente diz "basta!" É exatamente quando o compromisso de encontrar uma solução finalmente surge.
Então compreendemos que a raiva sagrada diz respeito ao que nos causa raiva e à consciência da função da raiva no mundo. De fato, é o que nos deixa com raiva que mede a profundidade de nossas almas.
Quando o que nos causa raiva é ver crianças imigrantes presas, é hora de fazer alguma coisa. É hora de recusar que nosso silêncio seja interpretado como uma aprovação daquilo que não gostamos. É o momento de deixar claro que, se esse tipo de comportamento não parar, haverá consequências. É hora de levantar as mãos em público, fazer uma declaração clara para todos vejam: "Conte comigo".
A raiva é a necessidade que temos de tratar de um assunto até que ele se resolva, mas também é o momento de percebermos que a resolução não acontecerá, a menos que tenhamos a intenção de elevar a compreensão e a sensibilidade com respeito aos outros. É preciso tomar uma posição, mas procurando entender as necessidades que estão por baixo de posições totalmente diferentes. A raiva não insulta, não humilha e nem julga uma pessoa que toma posições diferentes das minhas. Ela busca o meio termo para atender às necessidades de todo o espectro humano, e não apenas às minhas.
A verdade é que a raiva se preocupa, mas a raiva também escuta. Escutar é a única maneira de duas pessoas se unirem, respeitando ideias diferentes e com abertura genuína a outro ser humano.
A raiva, em outras palavras, é um contador Geiger. Ela detecta as bombas-relógio do coração. Traz luz. Ela busca as suas ideias-raiz. Ela busca complementar os dados disponíveis. E isso aprofunda a abordagem de um determinado tema. Traz profundidade. Exige que analisemos nossas próprias posições de forma mais crítica. Acima de tudo, isso pode nos levar a uma compreensão mútua que, por sua vez, pode nos levar a encontrar outra maneira de resolvermos uma situação juntos.
A raiva sagrada não nos endurece em nossa posição; ela nos leva a fazer algo para buscar soluções. Acima de tudo, torna impossível que continuemos sendo superficiais. A raiva nos diz que há algo acontecendo nessa situação que precisa ser revelado. Algo que precisa ser curado. A raiva saudável não ferve nem queima; ela se junta ao chamado para encontrar outro caminho.
Raiva é energia. Ela nos afasta da TV para escrevermos uma carta a um senador dos EUA sobre empréstimos a estudantes ou ao conselho escolar local sobre a necessidade de cuidar melhor da cidade. Ela elimina a complacência que se instala na vida antes que seja tarde demais para nos salvarmos da “gentileza” que silenciosamente azedou. Abre nossos olhos para novas necessidades.
A raiva também nos conecta. Ela nos coloca em contato com pessoas que sabem mais do que nós sobre um determinado assunto, ou nos tira do sofá para fazermos algo para desmascarar o que se esconde sem contestação na sociedade. Ela rasga o curativo da gentileza com o que quer que esteja moldando nosso mundo, enquanto nos recusamos a fazer nossa parte para moldá-lo.
Acima de tudo, a raiva é um sinal que eu envio ao o mundo sobre a importância do que me preocupa. Clama para que o silêncio público seja quebrado.
De onde eu estou, sinto muita raiva por colocarem crianças estrangeiras em gaiolas. Incapazes de expressar seus medos, elas vivem o terror de despertar novamente, dia após dia, em um lugar estranho, sem suas famílias por perto para cuidar delas.
Também sinto muita raiva pelo o fato de o insulto pessoal ter se tornado uma característica aceitável de um sistema governamental americano que se baseia mais na injúria do que na razão. Para piorar a situação, ter como símbolo da América um presidente que humilha outros - até aliados - que pensam de maneira diferente dele, é um ataque contra a própria democracia. Pode muito bem nos isolar em um mundo que está rapidamente se tornando uma vila global.
Sinto raiva de ver o sistema presidencial americano se transformando rapidamente em uma monarquia. E estou com muita raiva de um congresso adequado, mas silencioso, sem consciência, que está permitindo que a democracia se deteriore diante de seus olhos. Eles não dizem nada, enquanto os parlamentares britânicos se levantam e cruzam os braços pelo corredor para salvar a democracia britânica.
Admito que demorou um pouco, mas finalmente fiz as pazes com raiva, graças a Edmund Burke, que em 1769 esclareceu para mim a diferença entre paciência e covardia. Burke entendeu o lugar da raiva na jornada para a justiça. Ele escreveu: "Existe um limite a partir do qual a tolerância deixa de ser uma virtude".
Com a democracia e o próprio caráter deste país em perigo, sinto-me obrigada a levantar essa questão em todos os lugares. Menina. Boazinha. Nunca. Mais.
Pelo menos não até que a América seja a América novamente."
Joan Chittister é uma freira beneditina da Pensilvania, EUA.

21 outubro, 2019

Lufe - Dicas de Vídeos YT


Eu que gosto de casa e decoração e tal... apareceu como dica no YT o canal do Life by Lufe, e comecei a ver as casas que ele visita...
E foi engraçado.... no início vi uma série de casas - a série apartamentos pequenos - alguns com tanta coisa, tanto colorido, que eu minimalista que sou, ficava exausta.... até ver um vídeo de uma casa argentina - que me encantou. Apesar de ali ter muiiita coisa e muito colorido, tudo sei lá combina... E esse click que me deu, dessa coisa de apreciar as coisas não perfeitas... foi uma novidade gostosa de ver. Perceber como já somos culturalmente preparados para ver que aquele rasgadinho precisa ser trocado pelo novo, que aquela lasquinha precisa ser consertada. Modelos que nos geram a ânsia do consumo! Puro marketing que foi incutido via filmes e novelas e mídia. E a gente vai indo e comprando, e se sentindo insatisfeitos, e nem repensa.

Influenciam o que vestimos, como nosso corpo deve ser e mais... como nossa casa e moradia também deve "aparentar"! Socorrroooo.... rs

Bom... enfim... continuo minimalista, mas meu olhar sobre as lasquinhas e imperfeições cotidianas ganhou mais um tantinho de novas e deliciosas leituras!

Vou deixar abaixo vídeos que curti do Lufe, do que já andei vendo. Embora todos sejam interessantes, conhecendo outros jeitos de viver e de morar:

A casa da argentina que comentei: https://www.youtube.com/watch?v=1nbj02Kb1CA

Lúdica: https://www.youtube.com/watch?v=4AshR8Dt3nI

Érika Karpuk: https://www.youtube.com/watch?v=YjiEEjRgjXg

Pai e a casa: https://www.youtube.com/watch?v=8y0HeSSjAQE

Airnb Minimalista: https://www.youtube.com/watch?v=F8v1KwLlctc&t=226s

Casa na Índia: https://www.youtube.com/watch?v=TDK7SItDwf0

Arquitetura Marroquina: https://www.youtube.com/watch?v=4DUQcq_9No0 (vale ver tb toda série Marrocos!)

Casa Sustentável: https://www.youtube.com/watch?v=O2F5yL9mOhk




Espiral de Mudanças 

O Universo Conspira!

Agora aqui esse é O tema!

O Lufe de vez em quando comenta sobre essa série que ele fez. E fui lá ver.... são 30 episódios de uns 15/20 min. que você fica vendo como série, quer logo saber de tudo. E o Lufe empolgado que só (!) vai contando com os olhinhos azuis brilhando... 

Adorei, me emocionei, relembrei espirais por onde também passei, muito semelhante ao que ele conta. Mágico quando estamos assim... fluindo com o Universo!

E sobretudo lembrei do cultivo, de não se perder no caminho! É muito fácil a gente se perder. nas ilusões das aparências... e esse propósito durante a saga nessa "espiral" é INCRÍVEL!

Quer se inspirar? Assista!





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09 outubro, 2019

Anosmia


A proposta é separar 4 óleos essenciais – limão, rosa, cravo-da-índia e eucalipto-glóbulos – e inalar gotas depositadas dentro de um potinho de vidro por 20 segundos, 2 vezes ao dia, por no mínimo 4 meses. Existe um diário onde o paciente deve avaliar a experiência em 4 quesitos: potência do cheiro, reconhecimento do cheiro, descritores do cheiro e sensações despertadas pelo cheiro.



23 setembro, 2019

Primavera e Jardins inspiradores!

Êba, ela chegou! Feliz Primavera!

Bora Flores Ser divando em Afrodite?

E para você se inspirar ainda mais nesta estação minha dica são dois documentários da Netflix:  

O inglês Monty Don visitando os jardins italianos e franceses. Já digo que apesar dos dois serem igualmente lindos, sou mais chegadinha nos lindos cenários italianos... Cada imagem da série é um verdadeiro quadro, uma obra prima da natureza. Vale muiiiiitttoooo assistir e se maravilhar com jardins aos quais muitos nem se tem acesso público. Então embarque nesta viagem com o Monty Don. E como já faz um tempo que estão na Netflix... é melhor assistir logo, antes que saia do catálogo!













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23 agosto, 2019

Descobrindo o Sagrado: Uma entrevista com Tenzin Wangyal Rinpoche

Tradução de “Discovering the Sacred: An Interview with Tenzin Wangyal Rinpoche”

O artigo a seguir é da edição da primavera de 2002 da Newsletter da Snow Lion e é apenas para referência histórica. Você pode ver isso no contexto da newsletter original em https://www.shambhala.com/wp/wp-content/uploads/2017/03/58.pdf


Hoje, muitos ensinamentos na tradição Yungdrung Bon são muito similares aos ensinamentos encontrados nas outras principais tradições espirituais Tibetanas — tudo desde visualizações elaboradas de deidades tântricas até a simplicidade e imediaticidade das meditações dzogchen. Contribuindo para a riqueza e profundidade da herança Bon existem as práticas xamanísticas, como cura e recuperação da alma, que carregam com elas um profundo respeito pela natureza e os espíritos que habitam nela, e que continuam a desempenhar um papel importante na cultura Tibetana.

De acordo com o proeminente mestre Bon Tenzin Wangyal Rinpoche, hoje, tantra Bon, dzogchen e xamanismo oferecem abordagens amplamente divergentes, ainda assim eles podem se apoiar mutuamente. Todos eles compartilham ao menos uma essência em comum: a visão integral da sacralidade dos cinco elementos: terra, água, fogo, ar e espaço.

Tenzin Rinpoche é autor de “Maravilhas da Mente Natural”, “Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono” e o novo “A Cura Através da Forma, da Energia e da Luz: Os Cinco Elementos no Xamanismo, Tantra e Dzogchen do Tibete” publicado pela Snow Lion Publications. Rinpoche tem sido fundamental na introdução dos ensinamentos e tradições Bon no mundo Ocidental desde 1988. O centro de seus esforços mundiais é a organização que ele fundou em 1992, Ligmincha Institute (Nota do Tradutor: A instituição agora é chamada “Ligmincha International”), em Charlottesville, Virginia. Centros e grupos de práticas afiliados ao Ligmincha agora estão localizados ao longo dos Estados Unidos, Rússia, México e Europa Oriental e Ocidental.

Aqui, em uma entrevista conduzida por Polly Turner, editora do “Sangha Journal”, Rinpoche fala sobre seu livro mais recente (N.T. “mais recente” na época da entrevista) e a relevância dos cinco elementos para o desenvolvimento espiritual da pessoa.


Snow Lion: Por que você escolheu escrever um livro sobre os cinco elementos?

Tenzin Wangyal: O propósito do livro é mostrar como a sacralidade dos elementos pode ser descoberta em todas as dimensões da experiência. Alguém pode experienciar o sagrado em si mesmo(a) em relação a estes elementos se conectando, ou experienciando, ou sendo. Os(As) xamãs se conectam com a natureza. O(A) praticante tântrico experiencia energia, e o(a) praticante dzogchen experiencia a qualidade de permanecer nas cinco luzes puras e cinco presenças puras.

Snow Lion: Como você define sagrado neste contexto?

Tenzin Wangyal: Sagrado significa qualquer situação onde você encontre algo que faça a experiência de você mesmo(a) mais profunda e mais próxima. Por exemplo, quando xamãs vêem uma montanha, a experiência que eles(as) tem deles(as) mesmos(as) se manifesta completamente em relação com a montanha e o elemento terra, e isto evoca devoção. A terra é onde coisas crescem, onde seres vivem. A força bruta desta terra não é apenas vista no espírito da mãe terra, é também respeitada como uma entidade superior e fonte de cura.

Para xamãs a terra é terra sagrada, água é água sagrada, fogo é fogo sagrado, ar é ar sagrado, espaço é espaço sagrado. A sociedade moderna perdeu quase inteiramente este significado na natureza. A terra é vista apenas como um lugar para comprar e para construir. Quando você está nas ruas da cidade de Nova Iorque, praticamente cada polegada é cimento sólido e pavimento — não há quase nenhuma conexão com a natureza lá.
O(A) xamã se relaciona com os elementos da natureza de um modo grosseiro, dualístico, muito orientado pelo espírito, mas ainda assim de um modo que é incrível e poderoso.
No tantra, através da visualização de sílabas e símbolos, canais e chackras, os mesmo cinco elementos são experienciados no corpo humano na forma de energia divina. Cada parte do nosso corpo é vista como um palácio do divino. Quando você vê desta forma, sente desta forma, relaciona-se desta forma, você têm esta dimensão sagrada de experiência.
É a mesma coisa no dzogchen, mas no nível da mente. No dzogchen, o(a) praticante trabalha com todos os elementos como luz. Na sua qualidade mais sutil, os elementos neste nível são cinco aspectos sagrados da luminosidade que, inseparavelmente unida com vacuidade, é a base de todas as coisas. No dzogchen os elementos também são associados com as cinco qualidades de sabedoria, ou cinco presenças puras. Por exemplo, o elemento água é associado com a luz azul e com a sabedoria do espelho. O elemento espaço é associado com a luz branca e com a sabedoria da vacuidade.

Snow Lion: É importante para um(a) praticante experienciar pessoalmente os elementos como estando em equilíbrio?

Tenzin Wangyal: Não há nada a ser experienciado em nenhuma dimensão que não seja composto completamente das interações dos cinco elementos. Diferentes elementos são associados com diferentes emoções, temperamentos, cores, doenças, estilos de pensamento, e assim por diante.
Alguém pode dizer que se os elementos estão equilibrados externamente, então alguém estará fisicamente saudável. Da perspectiva tântrica, quando elementos estão equilibrados, talvez internamente alguém sinta alegria, alguém sinta amor, alguém sinta compaixão, alguém sinta estabilidade e equilíbrio. Alguém experiencia todos estes mais espontaneamente. No dzogchen quando alguém tem equilíbrio nos elementos, alguém espontaneamente experiencia diferentes qualidades de espaço e luz. Grounding* (N.T. “conexão com a base”), flexibilidade, abertura, criatividade — todas estas qualidades são experienciadas como aspectos sutis da energia primordial da existência.
Geralmente, xamãs não tem um entendimento da visão do tantra ou dzogchen. E, um(a) praticante dzogchen ou tântrico(a) não necessariamente vai na “cabana de suar” e invoca o deus fogo, por exemplo. Mas em ambos dzogchen e tantra há definitivamente uma necessidade do calor interno para desenvolver as experiências despertadoras da claridade, e uma necessidade de experienciar o êxtase interior através do fogo.
Alguém se conecta em um nível bruto, alguém se conecta num nível mais energético, alguém se conecta em um nível mais puro de mente e luz.

Snow Lion: Como alguém pode saber se tem muito ou não o suficiente de cada elemento?

Tenzin Wangyal: No nível dos elementos brutos, o desequilíbrio pode manifestar-se claramente na dimensão física. Algumas pessoas com muito elemento terra podem ser gordas, por exemplo. No nível energético elas talvez se sintam preguiçosas, embotadas ou deprimidas. Psicologicamente ou internamente, pessoas podem ter tanto elemento terra que elas vão esquecer coisas, serão muito lentas, ou terão pouquíssimo progresso em seus desenvolvimentos pessoais ou espirituais.

O desequilíbrio dos elementos na perspectiva dzogchen é mais no nível muito sutil do indivíduo. Talvez alguém tenha falta de estabilidade na meditação, falta de consciência da conexão com a base, falta de concentração, falta de entendimento de sunyata. Talvez a pessoa é muito desequilibrada num sentido dos elementos no dzogchen, mas ele ou ela pode não perceber isto porque não há nada particularmente errado fisicamente ou psicologicamente.
Se há um monte de lugares no seu dia a dia onde você se sente confuso(a) ou entra em problemas, talvez seja por causa de uma falta de estabilidade e elemento terra — ou talvez é uma falta de criatividade, significando que você está com falta de elemento fogo. Ou talvez é uma grande falta de abertura — se você se sente desligado(a), basicamente é por causa de falta de espaço. Falta do elemento ar pode se manifestar como falta de flexibilidade. Ter muito de qualquer um dos elementos também pode causar problemas. Quando você vê os tipos de condições e qualidades que estão se manifestando, você pode olhar dentro de você mesmo(a) e entender as causas num nível mais profundo, emocional.

Snow Lion: O que faz este desequilíbrio acontecer em primeiro lugar?

Tenzin Wangyal: Em algum sentido, no começo de nossas vidas nós temos praticamente um equilíbrio dos elementos. Assim que nós saímos e encaramos o mundo, nós temos tantas experiências boas e ruins, desapontamentos e feridas. Nós temos tantas experiências intensas, mas nós não necessariamente temos um modo de processar elas. Como um resultado, estas experiências podem danificar algumas destas qualidades elementais. Talvez você tenha estabilidade e então algo trágico ou traumático acontece; a partir daí você apenas não se sente mais muito bem grounded* (N.T. “conectado(a) com a base”).
Se você tem uma experiência muito forte e é capaz de processar ela, ela não vai fazer nada com você. Ser capaz de processar significa que você pode sentir a experiência, mas ela não vai te causar dano. Ela não vai te mudar. Ela não vai te enfraquecer. Ela não vai fazer você perder algumas qualidades. Ser capaz de processar significa que ela vai te energizar. Você está claro(a) com ela. Em algum sentido ela pode fazer você crescer, fazer você expandir sua consciência, fazer você se tornar mais sábio(a) e mais compreensivo(a).
Não ser capaz de processar significa que ela vai te balançar. Se você é uma pessoa bem forte e você é acertado(a) por esta experiência, ela vai levar embora sua força. Talvez você estivesse feliz; quando você encara ela, ela vai levar embora sua felicidade. De alguma forma ela vai danificar aquela qualidade particular.
As cinco emoções negativas da raiva, desejo, ignorância, inveja e orgulho também são relacionadas com os elementos. Raiva é relacionada com o ar. Desejo é relacionado com o fogo, e assim por diante. Quando alguém é mais equilibrado(a), alguém pode ter mais experiências de amor. Quando alguém é desequilibrado(a) por causa de muito ar e falta de terra ou grounding* (N.T. “conexão com a base”), alguém pode ter uma experiência de raiva. Raiva é sentida como uma explosão pra fora, como ar soprando coisas para longe — você perde o controle. Esta é a experiência oposta da experiência de quando você fica deprimido(a), por causa de ter muita terra e não ter ar suficiente.

Snow Lion: Como alguém pode saber quando está se conectando de uma forma pura com os elementos?

Tenzin Wangyal: Enquanto você recupera os elementos que você precisa, no começo a sensação pode não ser óbvia. Mas, no tempo, isso pode mudar sua vida. Você pode ver que o modo como você se relaciona e o modo como você faz coisas são totalmente diferentes. Se você está ungrounded* (N.T. “sem conexão com a base”) e sentindo que você está bagunçando tudo na sua vida, após você fazer a prática para recuperar o elemento terra você se sentirá tão diferente, tão grounded* (N.T. “conectado(a) com a base”).
Você pode recuperar o elemento usando uma abordagem xamânica, uma abordagem tântrica ou uma abordagem dzogchen. O(A) xamã basicamente tenta entender a energia da terra, recebendo a qualidade do elemento terra da deusa da terra, o espírito da terra, ou se conectando mais com a terra bruta. Há muitas formas de práticas xamânicas. É o mesmo com práticas tântricas: Há meditação, contemplação, exercícios específicos para tentar controlar as qualidades dominantes do ar, fogo, e outros elementos. Práticas dzogchen envolvem simplesmente permanecer, ou ser, enquanto fundindo a si mesmo(a) com as qualidades mais sutis dos elementos.

Snow Lion: É crucial estar consciente dos elementos no momento da morte?

Tenzin Wangyal: Geralmente não há outro modo de experienciar além de através dos elementos. Adolescentes tem uma necessidade por um monte de fogo e ar, então quando eles são capazes de fugir e explorar novas experiências eles(as) sentem-se como se eles(as) estivessem no paraíso. Quando você está envelhecendo você precisa de mais dos elementos terra e água, associados com estabilidade e com conforto. Você não quer explorar muito, e você experiencia seu profundo senso de si mesmo(a) enquanto deitado(a) na cama ou no sofá. Então, durante épocas diferentes, estações diferentes, estados emocionais diferentes, você tem formas muito diferentes de se conectar com você mesmo(a) através dos elementos.
Da mesma forma, durante a dissolução dos elementos no momento da morte nós temos a oportunidade de experienciar nosso verdadeiro eu. Nós sempre experienciamos a nós mesmos(as) através de elementos grosseiros. Mas, através da experiência da morte, enquanto a terra se dissolve na água, água no fogo, fogo no ar, e ar, por fim, no espaço, a experiência dos elementos naturalmente se torna mais e mais sutil. Para atingir a liberação no bardo, uma pessoa aspira experienciar a si mesmo(a) durante o processo inteiro de morrer, mantendo clara presença nas formas sutis dos elementos e na forma mais sutil dos elementos como luz, e até na clara luz do espaço.
Manter esta presença através destes níveis de experiência é muito difícil. Então é por isto que é importante se familiarizar com as práticas dos elementos, e ter entendimento, conhecimento e experiência.

Polly Turnen é uma aluna antiga de Tenzin Wangyal Rinpoche e editora do “Jornal da Sangha: Trazendo as tradições espirituais tibetanas para a vida”, uma nova publicação bimestral que provém apoio e inspiração para praticantes de meditação de Budismo Tibetano e Bon.]


Texto original em inglês disponível em: https://www.shambhala.com/snowlion_articles/discovering-the-sacred/ republicado de : https://medium.com/@andarolhar/descobrindo-o-sagrado-uma-entrevista-com-tenzin-wangyal-rinpoche-232cc4d66a93

20 agosto, 2019




O que é?


O Elemente-se foi inspirado no tema dos elementos, numa proposta de contato e familiaridade com a energia dos mesmos, através dos óleos essenciais (aromaterapia) e de meditações guiadas.
É um pequeno passo para nos tornar mais conscientes de cada uma dessas energias!

Os elementos são energias que estão em tudo, inclusive em nós! Pela falta de cultivo, nós reconhecemos essa energia mais no externo que dentro de nós mesmos, de forma que nossa energia vai ficando condicionada a algo ou alguém!
Para reconhecer a energia interna, precisamos de cultivo, da meditação que é uma das principais formas, e através da intenção, entrando na vibração com os próprios elementos e com as formas vibratórias e naturais que os evocam.

Os recursos como os óleos essenciais, a música, a dança, os florais, os cristais, a própria meditação, nos auxiliam a entrar na sintonia dos elementos reconhecendo-os e integrando-os.

As sinergias do Elemente-se também podem ser utilizadas em recursos terapêuticos, como dentro da leitura dos temperamentos ou da psicologia junguiana, usando os 4 elementos.


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Muito das meditações e das características dos elementos listadas aqui teve como inspiração o livro A Cura Através da Forma, da Energia e da Luz de Tenzin Wangyal Rinpoche (editora Lúcida Letra). 


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Os Elementos

Algumas Características:



Espaço - Éter


Tudo se origina, existe e se dissolve no espaço. Espaço e Éter são sinônimos em algumas tradições, e nesta descrição também vou juntá-los. Mas o éter é a luminosidade que também se originou do espaço, é quando o espaço da natureza da mente é compreendido. E do éter surgem quatro manifestações (ou melhor, luminosidades!) na sequência, o ar (éter em movimento),  o fogo (a fricção do ar), a água (o aquecimento do ar) e a terra que é a união destes quatro elementos.

"Quando o elemento espaço está equilibrado, há espaço na vida: tudo o que surge pode ser acomodado. Há tempo suficiente, capacidade emocional suficiente e tolerância suficiente."   Tenzin Wangyal Rinpoche


Palavras-chave: abertura - presença - cura - meditação - possibilidades - potencial - sem fronteiras - a verdadeira base do ser - onipresença - fé - vivacidade -vastidão - amplidão - clareza - quietude - maturidade - equilíbrio - amor crescente - vazio e fértil - capacidade de acomodar tudo - acolhimento.

Espaço/Éter em desequilíbrio: desorientação, alienação, fixação, ocupação, apego, aversão, torpor, indiferença, arrogância, mente nebulosa, estreitamento mental, pesar.
No corpo físico: éter: os espaços do corpo, o oco dos intestinos vazios, boca, ouvidos, tórax, pulmões, bexiga, vasos sanguíneos, vísceras, tecido conjuntivo. Espaço: coração (o início da formação do corpo humano).
Mentalmente os espaços entre um pensamento e outro. A capacidade de atenção da sua mente. A busca pelo que está além dos sentidos.

Contato com o elemento na natureza e dia a dia: a vastidão sem limites do céu, ver o céu noturno, estrelas, planetas.


Sentido: audição (éter)

YANG -  Fogo e Ar
 são semelhantes na energia entusiasmada, projetiva:

Ar

Fluir, desbloquear. O ar liga tudo, é o elemento da comunicação. Traz a mudança dos nossos padrões. Sem a energia do elemento ar não existe transformação! 

Palavras - chave: leveza - sabedoria - conhecimento - comunicação - concentração - ânimo - amplidão - expansão - descontração - contemplação -  movimento - mudança - mobilidade - flexibilidade -  frescor - jovialidade - beleza - harmonia estética - versatilidade - originalidade - compreensão - filosofia - refinamento - transparência - transformação.

Ar em desequilíbrio: limitação - trancamento - solidão - alienação - distração - lentidão - esvoaçamento - nervosismo - ansiedade - claustrofobia - excesso de racionalização - inconstância - empacamento - medos.

No corpo físico: os movimentos, os ritmos da respiração e batimento cardíaco, peristalse do intestino. Governa a informação elétrica em movimento transmitido ao longo do caminho dos nervos. Está localizado no tórax e nos membros superiores.

Contato com o elemento na natureza e dia a dia: através da respiração, ventos, brisas, lugares altos, vastos, observando o céu, o voo dos pássaros, observar fumaça do incenso, empinar pipa, brincar com bexigas de ar.


Sentido: tato
Elemento oposto - de equilíbrio: yin terra - água


Fogo

O fogo eleva o padrão vibracional, despertando e aumentando o prazer, alegria, êxtase. É a força da vitalidade e da inspiração, seja nas atividades do dia a dia, no trabalho ou no caminho espiritual. 

Palavras -chave: entusiasmo -  interesse - intensidade - criatividade - sexualidade - alegria - expansão - clareza - discernimento - magnetismo - alegria - satisfação - foco - concentração - fé - devoção - presença - cura - transformação - propósito - convicção - coragem - vitalidade - intuição - inspiração - prazer - êxtase.

Fogo em desequilíbrio: impulsividade, inquietude, impaciência, irritação, apatia, euforia, fé cega, ingratidão, ira, impaciência, intolerância, desânimo, desinteresse, pessimismo, insatisfação.


No corpo físico: reações metabólicas, estômago, fígado, vesícula; temperatura corporal, sangue, glóbulos vermelhos.

Contato com o elemento na natureza e dia a dia: contato com o sol, ver o nascer ou pôr do sol, fogueiras, velas, olhar a chama da vela, cozinhar.


Sentido: visão
Elemento oposto - de equilíbrio: yin água - terra


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YIN  - Água e Terra
são semelhantes na sua energia serena, receptiva:

Água

Quando a vida parece dura demais, a água acalma a mente e as paixões, estreita os laços. 
Água é relaxamento, maleabilidade. É aceitação das situações. É a facilidade e o contentamento em ser quem se é! O "gosto" pela vida.


Palavras- chave: bem estar - calma - tranquilidade - conforto - suavidade - autoestima - felicidade - ternura - paz - prazer - relaxamento - alongamento - doação - sensibilidade - purificação - bondade - acolhimento - flexibilidade - fluidez - naturalidade - maleabilidade - afetividade - apreciação - imaginação - doação - entrega - adaptação - sensualidade.

Água em desequilíbrio: sentimentalismo - culpa - frieza - inveja - apego - ciúmes - preconceito - controle - magoá - paranóia - superstição - agitação - excesso de sensibilidade.


No corpo físico: saliva, lágrima, linfa, suor, líquido das articulações, plasma sanguíneo, leite materno, líquido amniótico, urina, gordura, sêmen, enfim todos os líquidos corporais.

Contato com o elemento na natureza e dia a dia: cachoeiras, lagos, açudes, rios, mar, chuva. Na atenção que colocamos no banho, na água que ingerimos, e no paladar em geral.


Sentido: paladar
Elemento oposto - de equilíbrio: yang fogo - ar

Terra


Para se centrar, fortalecer, concluir tarefas. Terra é estabilidade, a base na vida comum. É sentir-se em casa, confiante. Responsável. Ancorado em puro ser.  

Palavras chave: estabilidade - firmeza - segurança - confiança - ordem - organização - responsabilidade - praticidade - dignidade - tolerância - paciência - aceitação - abundância - sustento - estrutura - planejamento - humildade - nobreza - dignidade - manutenção da saúde - prosperidade - fertilidade - ancoragem/aterramento - serenidade - tranquilidade - equanimidade.

Terra em desequilíbrio: teimosia - rigidez - inflexibilidade - incerteza - dúvida - desconfiança - insegurança - monotonia - solidão - avareza - ausência de continuidade - falta perseverança - depressão - insensibilidade - resignação.

No corpo físico: ossos, tecidos, músculos, raízes (dentes, cabelos, unhas), base do corpo - pés, pernas, joelhos, cóccix.

Contato com o elemento na natureza e dia a dia: andar descalço, caminhar com atenção plena, sentir o chão, abraçar árvores, mexer com plantações, modelar argila.


Sentido: olfato
Elemento oposto - de equilíbrio: yang ar - fogo



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Aromaterapia

As sinergias de óleos essenciais


Se você não conhece sobre como a Aromaterapia age, se informe nos links da Arom'Arte!


O kit Elemente-se contém seis sinergias com óleos essenciais puros e naturais - compras na loja virtual www.aromarte.com.br/loja.htm, ou www.aromarte.com.br/lj.htm


Importante: o uso não deve ser feito para crianças menores de 12 anos, gestantes, lactantes e epilépticos. A sinergia Éter, Fogo e Ar deve ser evitada por hipertensos.


Como fazer uso?


O kit do Elemente-se, vem com 6 "vibes" sinergias (borrifadores em spray de 30ml cada), uma estrela giratória e uma caixa triângulo em mdf. Use a estrela como uma opção de escolha, como um oráculo, foque na ponta da estrela que você deseja, gire e veja que figura relacionada ao elemento caiu naquela direção. Use sempre para estimular o contato, para gerar sincronicidade com a sua necessidade do elemento a ser trabalhado.

Mas você pode escolher a sinergia de acordo com sua preferência olfativa (o seu nariz é um excelente guia!) ou identificando o elemento mais necessário ao momento, ou intuitivamente. Como os elementos são interdependentes, o ideal é mesmo trabalhar com todos, você pode usar 1 a cada semana, por exemplo. Siga a sua intuição!

Feche os olhos e borrife algumas vezes acima do seu corpo. Aguarde sentir o aroma e entre na vibração aromática.  Uma imagem associada ao aroma pode vir à sua memória!
Use 1 a 2 vezes ao dia, ou conforme desejar, mas use sempre com moderação!
Pode ser borrifado também sobre a pele (mas evite expôr ao sol), ou no ambiente. Mas não servem como perfumes -  por não conter fixador, eles volatizam mais rapidamente.

A sinergia Éter deve ser borrifada ao redor do seu corpo também. A sinergia Terra pode ser borrifada também ou somente nos pés. E deve-se evitar usar a sinergia Ar, Éter e principalmente a Fogo antes de dormir. 

É normal ter preferências, e gostar mais de algumas sinergias que de outras, dê preferência pelas que você mais gosta. Isto pode mudar dependendo das fases e acontecimentos da vida, é comum em algum momento surgir a vontade daquela sinergia que pouco se utiliza.

Espaço 

Amplidão


Uma tríade de óleos preciosos para viajar no coração e além do tempo... na riqueza das possibilidades infinitas!
Aroma transcendente:

Rosa (rosa damascena) = abertura do coração, amor incondicional. Choques emocionais. Arquétipos maternos e femininos. A rainha, a vibração mais elevada entre os óleos essenciais!
Jasmim (jasminum sambac) = Se a rosa é a rainha, o jasmim é o rei, aumenta a organização, planejamento e praticidade. Um aroma poético, sensual e inspirador.
Olíbano (boswelia carteri) = aroma devocional. Abre a mente e o espírito, aprofundando a respiração e expandindo a consciência do sagrado.

Éter 

Clareza


Uma escolha de óleos de limpeza mental e energética  - para clareza, mente luminosa, desperta! 
Aroma herbáceo e refrescante:

Hortelã Pimenta (menta piperita) = desbloqueia a energia estagnada do corpo etérico. Alivia histeria, fadiga mental e desânimos. 
Hortelã  Verde (menta spicata) = ionizante do corpo etérico. Favorece a abertura do chakra cardíaco. Purifica a mente e as emoções.
Capim Limão (cymbopogon flexuosos) = ilumina a mente consciente. Limpa e purifica o corpo etérico, penetrando profundamente no corpo físico.
Lírio do Brejo (hedychium spicatum) = conhecida por harmonizar a mediunidade em desequilíbrio. Purifica o campo energético.
Lavandin (lavandula hybrida) =  abranda os pensamentos repetitivos, dissipa tensões e stress, promove a paz dos corpos sutis. Refresca o cansaço mental.

Ar   

Fluxo


Óleos equilibrantes e revigorantes que proporcionam harmonia, abertura da respiração, sensação de frescor e leveza, fluxo. 
Aroma "verde", inspirador:

Petitgrain (citrus aurantium ssp.aurantium) = alivia traumas e choques emocionais, reanima, refresca a alma.
Eucalipto Staigeriana (eucalyptus staigeriana) = tem uma energia amorosa, ameniza a tristeza que afeta a saúde pulmonar. Estimula o raciocínio.
Eucalipto Glóbulus (eucalyptus globulus) = abre a mente, minimizando pensamentos obsessivos. Fortalece a respiração.
May Chang/Litsea Cubeba (litsea cubeba) = energizante, estimulante, animador. Antidepressivo. 
Bergamota (citrus bergamia) = equilibrante dos estados emocionais. Aumenta a concentração. Traz aceitação de si mesmo.


Fogo

Energia


Óleos de energia, alegria e vigor. Estimulam a autoestima, a saída do isolamento e a tomada de atitudes.
Um aroma mais intenso, herbáceo e floral:

Gerânio (pelargonium graveolens) = um óleo conhecido por conceder proteção e coragem. Reanimador. 
Alecrim (rosmarinus officinalis) = revigorante. Amor-próprio. Transforma sentimentos de traição e de vergonha. 
Junípero (juniperus communis) = reanimador. Tônico para pessoas fracas, desanimadas e desorientadas. Gera calor interior. 
Manjericão Verde (ocimum basilicum) = viver no momento presente. Autoestima. Proporciona equilíbrio, estimula a inteligência.
Laranja da Terra (citrus aurantium) = renovação, alegria. Limpa as energias densas.


Água 

Relaxar


Óleos que relaxam, acalmam, desestressam, permitindo suavidade, flexibilidade, fluidez.

Aroma suave, doce e acolhedor:

Camomila Romana (anthemis nobilis) = sedativa. Traz calma e sossego. Reconfortante. Trabalha o perdão.
Ylang Ylang (cananga odorata) relaxante. Desperta a sensualidade, a autoestima. Tende a desacelerar os batimentos cardíacos.
Funcho Doce (foeniculum vulgare) = desintoxicante. Regulador do sistema hormonal. Calmante para a irritação nervosa. Atua nas causas da auto-rejeição, estimulando a autoaceitação.
Limão Siciliano (citrus limon) = antiestresse. Elimina toxinas. Purifica a memória celular de vícios alcoólicos.


Terra 

Estabilidade


Óleos que trabalham a conexão, o aterramento, a confiança e aceitação. 
Aroma terroso, amadeirado, e com um leve toque arbóreo dos anciões da floresta: 

Vetiver (vetiveria zizanoides) = enraizamento, conexão com a  Mãe Terra. Serenidade, paz interior. 

Patchouli (pogostemon patchouli) = aterramento, abrir novos caminhos, vontade de viver!
Cedro do Atlas (cedrus atlantica) =  equilíbrio do chakra básico, conecta à energia da terra a do céu. Desenvolvimento da força espiritual. Confiança.
Cipreste Lusitânica (cupressus sempervirens) = desfaz as ligações empáticas, substituindo pelo entendimento compassivo, trazendo discernimento e aceitação da realidade. Conduz ao silêncio interior, à maturidade e sabedoria, estabilidade.
Abeto (Pinho) Siberiano (abies sibirica) = aumenta as forças de resistência. Traz aceitação e generosidade, aliviando sentimentos de autopunição. 



A Prática das Meditações


Existem algumas posturas específicas para meditação, e se você já é um praticante deve conhecê-las. Se não, apenas deite-se ou sente-se de modo que se sinta confortável. Foque nos áudios e em seu corpo, não dê atenção aos pensamentos discursivos. Se preferir ou estiver muito agitado, faça umas 3 respirações um pouco mais profundas que o normal, soltando o ar pela boca e dê play nos áudios!

Use as meditações guiadas (ou outras que desejar) com fones de ouvido. Se estiver com as sinergias, borrife antes sobre você ou no local, para ancorar na energia e ativar a memória límbica. 
Em todas sugiro a visualização criativa do elemento, que pode apenas ser sentida ao invés de visualizada. 

As gravações não são profissionais, e muito menos a minha voz que está dando tom à elas! E estou tentando aprimorá-las, então as gravações podem ir sendo substituídas. E o seu feedback vai ser importante nesta fase! Mande sua crítica, que será bem recebida!
As meditações estão disponíveis no app Insight Timer - http://insig.ht/elemente-se (free)

E também no soundcloud (free):










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