17 maio, 2017

Sete minutos depois da meia-noite


Ichii.... quanto tempo que não escrevo nada aqui... Dica da sessão pipoca então... nem se fala!

Mas pra deixar registrado aqui um filme que gostei muito, de uma profundidade psicológica tocante. Além das interpretações ótimas.

Sete minutos depois da meia-noite - e está disponível no Netflix.

Bom, já aviso... pega o lencinho.... É bem provável que você precise.



01 fevereiro, 2017

Confiança... além dos fios...

Por Milene Siqueira


"Quando o coração se torna inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? Não pode ser levado, não há possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro"
Osho


Será que é a confiança que nos dá suporte aos medos?

Mas não seria pela quebra da mesma confiança também uma das razões dos nossos medos?

Con-fiança... Com fios - que se lançam na direção de alguém ou de algo.

Lembrei de uma amiga que para fazer tratamento dentário, antes ela precisa chegar e abraçar o dentista. Abraço que diz "eu tenho medo e espero poder confiar em você". 
Aquela mão que segura a nossa na turbulência do avião, num parto...
Faz diferença? Ah, faz. A gente revela nossa insegurança e se sente amparado por um instante que seja.

Contar um segredo a quem se confia. Dividir a vida com quem se confia... 
Mas nessa confiança que dura mais que um instante... mora um problema: a expectativa.
As imagens que temos sobre o outro nem sempre são reais (principalmente quando as imagens sobre nós mesmos são ainda tão nubladas), e as expectativas vão se somando nas projeções. E dai... quase sempre inevitavelmente a gente se vê na rua da amargura. E depois??? Como confiar novamente?
(curioso é que a confiança pode não existir mais, mas as expectativas resistirão!)

Até confiar em nós mesmos fica difícil quando traíram nossa confiança. Afinal a gente se enganou, não foi?

A confiança no resultado das nossas ações. A confiança em Deus... 
Mas e se os resultados saem diferente do esperado? Desconfiamos de nós?
E se passamos por uma difícil provação? Brigamos com Deus?
Puxa... vira e mexe vemos nos noticiários pessoas, circunstâncias, empresas, partidos... tudo parecia tão sólido e confiável... e os castelos desabam diariamente.

A confiança requer ir além desses fios... 
A confiança é uma entrega. Entrega de que tudo está certo, ainda que os resultados mudem, que as dificuldades surjam, que o outro lhe traia a "confiança", que a casa caia.
Afinal a expectativa é nossa, é do pequeno eu. E tudo que de fato acontece é a engrenagem correta da vida, visando nosso "despertar" - num ensinamento que é o que de fato importa.

Não acredito que os medos surjam dos problemas da confiança. Acredito que estejam além disso num sistema de exclusões, e que uma quebra de confiança pode apenas delatar o medo.

Se confiássemos pra valer... não temeríamos a nada, já que o que fosse que fosse acontecer seria sempre o melhor para nós naquele momento.
Mas ok, eu sei... somos humanos... e ainda desconfiamos porque vira e mexe esquecemos. Nosso corpo emocional se abala e damos crédito à mente, no pequeno eu. 
Se confiar ainda dá medo, o melhor que podemos fazer por hora é não fingir que não temos medo.
Mas não desista nunca de confiar! 

E falando nos óleos essenciais, são os amadeirados (como cedro, sândalo, breu, olíbano,copaíba) e terrosos (como vetiver, patchouli, túrmerico, etc) e também os árboreos (como cipreste, espruce, junípero, pinheiros, tea tree), que ajudam a desenvolver a força interna e relembram ao nosso Ser sobre confiança.

O autoconhecimento e agir com honestidade ajuda na confiança. Porque se somos verdadeiros conosco acreditaremos que o outro também seja. Se enxergamos a nós sem máscaras, passamos a ver o outro com transparência. Tudo é um espelho. E se vemos com verdade, sem enganos. E sem expectativas= sem decepções.
E caso a gente se engane, melhor voltar o olhar para si. Dar uma boa olhada nos medos e ver o que há por trás deles, o que não foi esquecido, perdoado, aceito.

Respondendo a primeira pergunta... Sim, é na confiança que os medos ficam pequenos.

Refletindo sobre confiança nestes dias, lembrava da cena abaixo... o lançar-se sem fios...
Pois é, a confiança mora dentro - no coração - bem além dos fios visíveis do pequeno eu.



Confie apesar de todas as dúvidas


Osho

         Buda diz: Faça o que você tem de fazer resolutamente... Mas, por resolução, ele não quer dizer vontade, como o significado comum nos dicionários. Buda é obrigado a usar as palavras de vocês, mas ele dá um novo significado às suas palavras. Por ‘resolução’ ele quer dizer “a partir de um coração decidido” – não a partir da força de vontade, mas a partir de um coração decidido. E lembre-se: ele enfatiza a palavra ‘coração’, não a mente. Força de vontade faz parte da mente. Um coração decidido é um coração sem problemas, um coração que não mais está dividido, um coração que chegou a um estado de tranqüilidade, de silêncio. Eis o que ele chama de “um coração decidido”.
        “Faça o que tem de fazer resolutamente, com todo o seu coração.” Lembre-se da ênfase no coração. A mente jamais pode ser uma – por sua própria  natureza ela é muitas. E o coração é sempre um – pela sua própria natureza ele não pode ser muitos. Você não pode ter muitos corações, mas você pode ter muitas mentes. Por quê? Porque a mente vive na dúvida e o coração vive no amor. A mente vive na dúvida e o coração vive na confiança. O coração sabe como confiar – é a confiança que o torna um. Quando você confia, de repente você fica centrado.
        Daí a significância da confiança. Não importa se sua confiança é na pessoa certa ou não. Não importa se sua confiança será explorada ou não. Não importa se você será enganado por causa de sua confiança ou não. Há toda a possibilidade de você ser enganado – o mundo é cheio de enganadores. O que importa é que você confiou. É a partir de sua confiança que você se torna íntegro, o que é muito mais importante do que qualquer outra coisa. Não é uma questão de que primeiro você tem de estar certo se a pessoa é digna de confiança ou não. Como você estará certo? E quem vai pesquisar?
        Será a mente, e a mente sabe somente como duvidar. Ela duvidará. Ela duvidará mesmo de um homem com Cristo ou Buda. Ela não pode nem ajudar a ela mesma.
        Assim, lembre-se: confiar não quer dizer que primeiro você tem de pesquisar, que primeiro você tem de deixar as coisas certas, garantidas e, então, confiar. Isso não é confiança, isso realmente é dúvida – como você esgotou as possibilidades de duvidar, daí você confia. Se uma outra possibilidade de dúvida surgir, você duvidará novamente. Confie apesar de todas as dúvidas, apesar do que o homem é ou do que o homem vá fazer. Isso é do coração, vem do amor.
        Quando você confia e ama com um coração decidido, isso traz transformação. Então, você nunca hesita. A hesitação simplesmente o mantém aos pedaços.
Dando um salto quântico, sem nenhuma hesitação ou apesar de todas as hesitações, você se torna íntegro. A hesitação desaparece, você se torna um. E tornar-se um significa libertar-se - libertar-se da própria multidão estúpida que existe dentro de você, libertar-se de seus pensamentos e desejos e memórias, libertar-se da própria mente".
            





31 janeiro, 2017

Medo... que dá medo do medo que dá!

por Milene Siqueira

*com trechos da música Miedo, de Lenine.

_____________

Medo.

Temos o medo básico, inato, do físico. Este assusta pouco, porque faz parte da sobrevivência humana.
E tem medo adquirido de todo nome, tipo e tamanho. Dos medinhos às fobias - ao Pânico, o medo de ter medo.



Medo... que dá medo do medo que dá!*


Ganhe na loteria e medos que você jamais imaginou poderão surgir num segundo.
Se apaixone e o medo vem colar do ladinho.
Porque o medo é da identidade humana o seu apego.
E ao invés de compreender o medo, tentamos fugir ou combatê-lo. Firmamos contratos, assinamos papéis, construímos muros, afastamos pessoas, buscamos ajudas de eliminação ou criamos rotas de fuga. Fugindo ou amarrando, "protegendo", damos nós bem apertados, apartamos. E sufocamos! E mais medo e ramificações do medo surgem...

O medo se fez das imagens observadas, absorvidas de outros medos; do movimento, da percepção do ambiente, dos gestos, das palavras mal e não ditas por medo; das pessoas excluídas por temor/vergonha; das vozes alarmantes e dos pensamentos sombrios; e também daquelas promessas "seguras" que por medo foram compradas. E que agora são pagas no relapso, na embriaguez, na estupidez, na morbidez..., afastando-o do que seu coração pode, sonha, anseia.


Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão


O medo não é exatamente meu, nem seu. Mas se torna do "eu", do "meu", da identidade e da posse (apego).

O medo é domínio do aglomerado - da memória, das imagens, do tempo, da fala, dos sentidos, das ações, da matéria, do mundo, de todo mundo. E nisso, de tudo aquilo que foi "por medo" de alguma maneira excluído - que ficou "mal-dito".



O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão


Indecisão, onde nenhuma aposta é feita, que deflagra medos escondidos nos subterrâneos da mente.
Medos que se escondem, medos disfarçados, medos sem nome... dos males, estes os piores.

E aquele medo chamado de amor e zelo? Da verdade que você esconde de você mesmo - que finge que faz o que faz - não pelo amor mas sim pelo medo. 

Não tem jeito, todo negativo se resumirá ao medo. 


Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar


Medo é estar preso aos dois extremos. Um pé de cada lado. 
O medo de ir é o de ter que ficar. O de ficar é também o de ir.
Como ganhar é ter de perder...

No corpo o medo não é o desconforto. Desconforto é localizado, pode aparecer no peito, ou como sensação de que algo não se encaixa pra você, mas há lucidez. O medo te toma inteiro, é emocional, turvo, confuso.

E cuidado, não vá confundir! O cuidado não é o medo. Mas se falta ou excede, cuidado! Aí medo ele é! 


O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar


O medo esconde, divide. Afugenta, acorrenta.
O medo junta, acumula. E ao suficiente chega nunca...
O medo cobra, exige, aflige.
O medo é esforço, luta, cansaço.
O medo adia e tem pressa. Ânsia e deprime.
O medo põe de lado, desvia o olhar, exclui e aniquila.


O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor


O medo é a medida da falta.
O medo é o preconceito, a violência, inveja, ciúmes, ganância, soberba, vaidade, luxúria.
É a gula e a preguiça desmedida. É o roubo e a avareza. 
Tipos de medo, que são frutos do próprio medo. 
Erradicar a violência, por exemplo, não é atacando-a, mas revelando os medos. Para daí então mudar as formas que o medo criou.



O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor


Os medos visíveis nascem dos medos invisíveis, ou talvez, de um único medo sem nome.

Todo medo teve origem em outro medo. Nasceram do medo de abandonos, rejeições, vergonhas, resistências. Portanto medos pedem por aceitação. Entenda que o que é aceito é para ser mudado, liberado, integrado e não "carregado". Só carregamos aquilo que não foi aceito.
E medos escondem medos. Se não é aceito, o medo além de continuar escondendo outros medos, não permite que a origem se revele. Continua lacrado, escondido e dando medo. E medo escondido é forte, sorrateiro, comanda e pega a gente do nada, e age onde nem imaginamos.

Fale sobre, escreva, desenhe ou cante, e atravesse os medos. Revele-os. "Ben-dite-os". 
A humildade para aceitar e revelar o medo é uma necessidade.

Tente sentir onde o medo habita no seu corpo, e imagine inspirando partículas de amor e expirando as emoções, dores e pesos, deixando com que as sensações que fizeram seu corpo emocional se armar de uma falsa coragem - as couraças - relaxem.

Lembre-se sempre que o dá forma ao medo é o pensamento. Por isso, vigie e não fique ligado a pensamentos de medo. Deixe as negatividades passarem para não arranjar novos medos, e nem fique polindo os antigos! Aceitar o medo significa libertar e não continuar apegado. 
Alimente o bem, a união, o centro, o coração, a paz.

Silenciar a mente, observar o medo, aceitá-lo, desapegar, cultivar a fé no Bem - eis o processo.

Abra as portas para o medo... aquele, rs... que dá medo do medo que dá!



Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá





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