07 maio, 2026

Autocompaixão Viva

 





Autocompaixão Viva: Desenvolvendo o Self Compassivo

Um caminho para regular a autocrítica, cultivar segurança interna e viver com mais autenticidade.

Em um mundo que nos ensina a exigir mais do que acolher, muitas pessoas vivem presas em ciclos de autocrítica, vergonha, ansiedade e exaustão emocional.
Autocompaixão Viva é um convite para um novo caminho: um caminho de retorno a si mesma, com gentileza e presença.

 🌸🌹🌸


Agneta - O florescimento é interdependente


 Nesse 01 de maio, feriado, lua cheia e Wesak com as amigas, e tive o prazer de assistir a mais um daqueles filmes que preenchem a listinha dos icônicos: Agneta!

Aviso: contem spoiler.

Eu nem ia me ousar a escrever sobre Agneta, mas vou emendar Agneta em um assunto que tem muito a ver com compaixão que é a mentalidade de cuidado.

E para contrapor a mentalidade de cuidado, temos a participação da mentalidade de competição retratada pelo marido de Agneta, Magnus, cujo nome significa grande, ótimo, poderoso - tal como o patriarcado? Aliás o nome Agneta significa pura, casta.

Magnus não é um cara do mal. Magnus é o cara que segue as normas, a retidão. Magnus fala em parceria amorosa como somos uma “equipe”. Magnus está preocupado em manter-se saudável e longe dos prazeres, e mais longe ainda do que os outros podem pensar de “errado”. Embora na Provença, ele se mostre mais flexível, exagere nos prazeres do vinho - talvez por reconquistar Agneta - e se permita até dançar, mas no dia seguinte se recompõe na vergonha. Pensa que logo ele iria se enquadrar novamente junto com “sua” Agneta.

Agneta já tinha saído da bolha de pureza de Magnus para conhecer Einar, Fabien e Bonibelle. E encontrar-se com a França, com queijos, vinhos e prazeres - os quais ela já vinha cultivando às escondidas. E seu encontro com esses personagens é regado a cuidados. Cuidado que é sua função como au pair, e cuidados que recebe. Mas, diferentes do que recebia com Magnus, que pareciam lhe proteger, mas também controlar. Na França, recebe atenção “curiosa” que a transportam para ser ela mesma.

Einar conta a história da sua vida fazendo-a mergulhar com os sentidos, de olhos fechados, deixando a imaginação tecer o que ouve. O poder da imaginação é algo tocante no filme, assim como a atmosfera da arte que o propicia. Mas, Agneta, ainda vai precisar lembrar de como via o mundo aos 7 anos de idade, acessando a imaginação, a criatividade… E, assim, o start para a presença.

A dança é outro momento marcante, algo que nunca havia se permitido. A dança em todo seu poder, toma conta do corpo, desperta a libido. O mundo começa a ficar colorido.

O contato com os cheiros, com os sabores, com a água refrescante, com seu corpo, tudo vai se transformando, ganhando intensidade, legitimidade.

Despindo-se das roupas e do que elas representavam, Agneta vai permitindo-se descobrir sua autenticidade, viver o prazer, e descobrir amor por si, pelo seu corpo. Num ambiente onde é permitido e belo ser ela mesma, porque é um lugar onde as pessoas são curiosas por ela, ao invés de a julgarem e a definirem.

Poder ser livre dos conceitos enrijecidos da sociedade não é algo separado da autenticidade, da liberdade. Não é separado em se deslocar da mentalidade de competição para a de cuidado. Não é separado de apreciação, de aprender a se ver por olhos curiosos, de cuidado real. Não é separado de cuidar de si e do outro. A arte, os sentidos, a presença também não são separados. Assim como a libido não é separada do processo. Como também não são separada as relações de apoio. E como tudo isso não é separado do despertar compassivo. Tudo se apoia e se entrelaça.

E, também não é separado da dor.

Da dor de ter que fazer escolhas num mundo onde se é esperado determinados comportamentos que alguém postulou como “corretos”. E essa é a dor de Einar em relação ao tempo perdido com seu filho. Uma parte emocionante do filme, que retrata a dor, a escolha, a separação, o quarto com os bibelôs de gatos que ocultam a falta e memorizam o carinho.

Mas, felizmente no filme, ainda em tempo de se unirem, de poder preparar a cama e trazer o leite quente para o filho amado. Assim como foi em tempo ainda para Agneta, que sentiu na pele a necessidade em curar também a alma de Einar.

Einar, sentia ter feito a escolha errada entre ser ele mesmo ou amar seu filho. Agneta percebe que ele está errado, que pode fazer as duas coisas. Que ele pode dissolver o conflito interno do seu sofrimento na integração.

Talvez essa observação, essa dissolução, em não precisar escolher, tenha sido uma percepção no corpo de Agneta. Que o reconhece como fora do padrão, mas que não depende disso, em estar no padrão. Que o pode amar, que é seu direito, amar.

Einar e Agneta, cada um a seu modo, vai descobrir o contentamento através do olhar compassivo. Einar a questionando sobre ela mesma, enquanto ela fala dela mesma citando Magnus, e vai constatando que não sabe de si. Já Agneta faz Einar descer da fachada de vida feliz, e falar do seu sofrimento ao filho.

É o sofrimento que aproxima Einar e Agneta, e Einar e Paul. É o contato com o sofrimento, se despir do orgulho e das certezas, que pode fazer a alegria transbordar.

E para coroar esse filme… as lavandas… o lilás da transformação também estampado em Agneta. A liberdade que as lavandas exalam, estas que precisam de campos desimpedidos, abertos e altos para florescer.

Em um ambiente propício - assim como necessário às lavandas - Agneta descobre a “sua” Agneta.

Meu nome é Agneta. Agneta, a pura, sagrada… Talvez aquela que não precise mais ser a pura na métrica dos olhos dos outros, mas aos olhos de si mesma… Aquela que feliz cruzou os campos de lavanda e retorna para sua “casa”!

.

Por Milene C.S.

Conheça o Autocompaixão Viva

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...