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27 Outubro, 2010

Post, eleição...

Demorou, mas consegui postar sobre O Perfume ! Foi o primeiro filme que comentei de leve aqui no blog,  na sessão pipoca, mas sabia que merecia uma atenção toda especial para detalhá-lo melhor, exclui o comentário antigo (que na verdade eu pouco dizia, estava eu era maravilhada ! rs ) e este que postei hoje é bem melhor.
Em 2008, cheguei a me reunir com amigas que já haviam assistido o filme sem terem compreendido, e foi ótimo pois o olhar delas sobre o filme mudou. Não há dúvida nenhuma que o livro é a excelência, mas gostei do filme também, ajuda a complementar as imagens mentais, algumas explicações visíveis como da destilação, da atuação dos atores, e além de imagem tem a bela música !!!
Eu sabia que para escrever sobre O Perfume, ia ter que me dedicar e rever algumas cenas e trechos do livro, o que fiz nessa última semana. E gostei do resultado que cheguei ao escrever, e acho que ainda há mais conteúdo que não mencionei e que futuramente posso vir a escrever mais. 


Mudando de assunto... Fim de semana com votação e feriado à vista. Clima tenso... dias das bruxas e finados.
A votação é importante, mas mais importante ainda é que possamos, independente de quem ganhar a direção desse país, acreditar que a escolha foi a melhor, seja o presidente ou a presidenta. Não é nada fácil dirigir um país... vamos colaborar com nossas opiniões, mas que façamos além da crítica. Vamos fazer sempre a nossa parte, e contribuir ao menos com nossa melhor energia, bem intencionada aos governantes deste país.

O Perfume



por Milene Siqueira


Quem não conhece característica, beleza e magia...  de um óleo essencial, da atuação de perfumes com bases naturais -  fica com uma visão restrita ou mesmo incompreensível do filme O Perfume. Uma obra tão rica, torna-se cada vez nova por um entre tantos detalhes que contém. Mas vou tentar expor meu olhar, com a ajuda de trechos do livro. Convido a essa instigante viagem sensorial:

O Perfume, filme homônimo da obra literária do alemão Patrick Süskind mostra a fixação do personagem Jean-Baptiste Grenouille em conseguir à primeira vista, identidade, amor e domínio, mas não qualquer domínio, não qualquer amor, nem qualquer identidade...

“...Queria ser o Deus onipotente do aroma, como o fora em suas fantasias, mas agora no mundo real e sobre pessoas reais. E ele sabia que isso estava em seu poder. Pois as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.”

Grenouille entusiasma-se com esse objetivo ao sentir o aroma de uma jovem ruiva, aquela a quem entre tantos cheiros ele, com sua capacidade olfativa singular, reconhece ser o aroma da Perfeição :

“...Este perfume tinha frescura; não era, porém, a frescura das limas ou das laranjas, a frescura da mirra ou da folha de canela, ou da hortelã, ou das bétulas, ou da cânfora, ou das agulhas de pinheiro, nem a de uma chuva de Maio, de um vento gelado ou da água de uma nascente... e continha simultaneamente calor; mas não um calor semelhante ao da bergamota, do cipreste ou do musgo, nem ao do jasmim ou do narciso, nem ao de um bosque de rosas ou de íris... Este perfume era uma mistura de ambos, do que passa e do que pesa; não uma mistura, mas uma unidade, e, além disso, humilde e fraco, e, no entanto, robusto e resistente como um pedaço de seda fina e brilhante... e, todavia, não como a seda, mas antes como o leite com mel onde se molha um biscoito, o que nem com a melhor das boas vontades se conjugava:leite e seda! Incompreensível este perfume, indescritível, impossível de classificar! Não deveria, na realidade, existir. E, no entanto, ali estava com a mais absoluta das obviedades...” (*1)

Eu li o livro há uns 15 anos, e a cena inicial do nascimento de Grenouille na barraca de peixes na Paris de 1738, era a única vívida e perfeita na minha mente assim que assisti ao filme em 2007.
Hoje fico pensando se o autor não criou a ideia do nascimento em meio aos peixes propositalmente, pois é fato que o corpo humano em excitação sexual, exale um odor similar aos dos mariscos e peixes... Grenouille é o primeiro dos outros quatro filhos nascidos na mesma situação que irá nesse ambiente podre e fétido - em meio ao lixo e peixes em decomposição - jogado na sombra e no cheiro da vida que fenece, sobreviver. Assim, Grenouille parecerá ser regido unicamente pelo instinto da sobrevivência.
Diferente de outras histórias com personagens sensíveis e/ou evoluídos com capacidade olfativa aguçada, Grenouille é o inverso. Usará o olfato como o usa um animal predador, ou menos, pois Süskind o compara, a um carrapato.

“...O grito depois do seu nascimento, o grito sob a mesa de limpar peixe, o grito com que ele se tinha feito notar e levado a mãe ao cadafalso, não fora um grito instintivo de compaixão e amor. Fora bem pesado, quase se poderia dizer um grito maduramente pensado e pesado, com que o recém-nascido se decidira contra o amor e, mesmo assim, a favor da vida. Nas circunstâncias, isto era possível sem aquilo, e, se a criança tivesse exigido ambos, então teria, sem dúvida, fenecido miseramente. Também teria podido, no entanto, escolher naquela ocasião a segunda possibilidade que lhe estava aberta, calando e legando o caminho do nascimento para a morte sem esse desvio pela vida, e assim teria poupado a si e ao mundo uma porção de desgraças. Mas, para se omitir tão humildemente, teria sido necessário um mínimo de gentileza inata, e isto Grenouille não possuía. Foi um monstro desde o começo. Ele se decidiu em favor da vida por pura teimosia e maldade.”(*2)

Ele ainda vai sobreviver em vários episódios narrados no livro. “...Tinha a resistência de uma bactéria”  - o que justifica a aparência frágil, manco, cheia de cicatrizes e escoriações do personagem no filme. 

Grenouille tem um olfato incomum, mas não possui cheiro ! 
Para os personagens que faz contato, deixa sempre um rastro destrutivo, quando não mascarado pelos aromas“...devorava tudo, absolutamente tudo e absorvia tudo”.

Uma pena que no filme não se conte a história de Madame Gaillard, do padre Terrier, nem das amas que o rejeitam, pois “ ...ele suga-lhes até os ossos...” ,do quanto incomoda as pessoas serem invadidas (cheiradas), e não poderem se quer o classificar intuitivamente, ou seja, cheirar o que seja Grenouille. Até finalmente encontrar Madame Gaillard com seu nariz torto :
“...Quando era ainda uma menina, o pai batera-lhe com um atiçador na fronte, mesmo por cima do começo do nariz e ela perdera o olfato, juntamente com toda a noção do calor ou da frieza humanos e da paixão em geral...”
E assim, lhe é aceitável em seu orfanato, até que mais tarde ela começa a notar em Grenouille diversos poderes “...sobrenaturais”, como saber (cheirar) quando as pessoas estão chegando, por exemplo. Até o medo maior de que ele também descubra seu dinheiro guardado, e assim trata de livrar-se dele.

É fato que a primeira vez que assisti ao filme, não notei alguns detalhes, nossos olhos acabam ficando com medo, sobretudo dos assassinatos. Tem também muitas cenas escuras, o que é compreensível pois é a claridade que contrasta – como morte e vida - revelando belos campos de lavanda ou o verde das montanhas.
Há uma cena memorável do perfumista Baldini, interpretado por Dustin Hoffman, que viaja no Agora em cores, leveza, amor e frescor ao sentir um perfume elaborado por Grenouille.

“...Baldini cerrou os olhos e pôde ver nele despertadas recordações das mais sublimes. Viu-se caminhando, jovem, por jardins, à noite, em Nápoles; viu-se deitado nos braços de uma mulher com negras franjas e viu a silhueta de um ramalhete de rosas no peitoril da janela, pela qual soprava um vento noturno; ouviu pássaros cantando e, de longe, a música de uma taberna; ouviu coisas sussurradas bem pertinho do seu ouvido, um eu-te-amo, e sentiu como seus cabelos se eriçavam de puro deleite, agora! Nesse instante! Gemeu de prazer....Era algo de inteiramente novo, capaz de criar por si todo um universo, um universo maravilhoso e luxuriante e logo se esquecia o que o mundo à volta possuía de repugnante. Uma pessoa sentia-se rica, livre e boa... Os cabelos eriçados do braço de Baldini se deitaram e uma sedutora paz de espírito dele se apossou...”

Grenouille só irá perceber que não cheira a nada bem mais tarde, quando se retira nas montanhas, lá onde até então pensara ser feliz em ter alguma existência na solidão.
Numa cena, Grenouille passa por cães de guarda, que dormem, sem ser de forma alguma notado – aparecendo mais nitidamente aos nossos olhos como se sente:  um fantasma.

“...Desde jovem estava acostumado a que as pessoas que por ele passavam nem sequer tomassem conhecimento, não por desconsideração — como uma vez havia acreditado — mas porque não notavam a sua existência. Não havia espaço algum em torno dele, nenhum impulso de onda que ele, como as outras pessoas, emanasse na atmosfera, nenhuma sombra, por assim dizer, que ele tivesse podido projetar sobre o rosto das outras pessoas. ”

Também não é contado no filme, mas a primeira possibilidade de Grenouille ser notado é quando formula para si um perfume com cheiro humano, o cheiro superficial, mas o suficiente para enganar as pessoas – consegue ser “visto” ! Esse trecho do livro é uma analogia sobre usar recursos para ser inserido num grupo, ganhar algum poder ou mesmo aprimorar e melhor nossas condições. Bom, fazemos isso o tempo todo. Grenouille inclusive a partir do uso desse artifício melhora sua postura corporal.
Só que a partir daí... Grenouille tem uma ideia que lhe fará ser mais do que um igual...

Em Grasse, de posse das essências (almas/auras) das jovens, Grenouille finalmente irá elaborar “O Perfumena cena mais surpreendente do filme.
A cena na praça (Place dus Cours) onde seria executado, que vista sem entendimento irá parecer completamente desprovida de sentido - como nada além de uma grande orgia - é o contexto aqui descrito :

“.... seria capaz de criar um odor que fosse não só humano, mas sobre-humano, um odor angélico, tão indescritivelmente bom e com tanta energia vital que quem o cheirasse ficaria enfeitiçadoficaria sob um encantamento, tendo de amar de todo o coração a Grenouille, o portador desse fantástico aroma. Sim, amá-lo é o que deveriam quando estivessem sob o fascínio do seu cheiro, não apenas aceitá-lo como igual, mas amá-lo até a loucura, até o sacrifício pessoal; deveriam tremer de encanto, uivar e gritar, chorar de prazer, sem saber por quê, cair de joelhos — isto é que deveriam fazer como sob o incenso frio de deus, só por chegarem a cheirá-lo!”

Grenouille revestido de toda aura aromática de apenas uma gota do “Perfume”, transmuta-se para as pessoas em Anjo ou na personificação do melhor que elas crêem. Diferentemente do que parece, as pessoas não se desnudam com o olhar da moralidade com o qual podemos assistir. O “Perfume” é a descrição da primeira jovem (*1), o aroma da união dos opostos, da totalidade, da Unidade ! As pessoas entram num devaneio, numa nuvem espiritual que toma todo o ar, só há a embriaguez do êxtase para respirar... da liberdade, da alegria, da pureza.
E desprovidos de qualquer razão, e portanto dos preconceitos, do julgamento, do Bem e do Mal, de um passado e de um futuro moral, transcendem como podem. E assim copulando ao acaso com quem estivesse ao lado –  buscando através dos seus corpos também ser Um - inebriados dão-se, acolhem-se, amam-se. É a alegoria de um arrebatamento indescritível e das expressões carnais possíveis, nos dando também uma mostra física à semelhança dos aromas mais sutis na natureza, que são pura onda de energia vital/sexual !
A cena é o vislumbre da fusão: volúpia e inocência.
O pai de Laure, Richis, também vai amá-lo, pois vê sua filha, ou melhor, vê a legitimidade em essência de sua filha em Grenouille, aromaticamente mascarado à sua frente.
 “...O olhar de Richis pousava sobre ele. Amor infinito havia nesse olhar, delicadeza, comoção e a profundidade oca, boba, de quem ama.”

Grenouille num primeiro momento comemora seu feito, ri, vive o grande triunfo. Mas não demora muito para ir do êxito ao fracasso, cair em si e derramar uma lágrima. Proporcionara às pessoas a embriaguez do Amor, mas ele, Grenouille, começa a se sentir mal, sufocado da falta de si mesmo. (No filme, isso é mostrado numa alusão à primeira jovem. O filme é mais comercial e a cena também é uma forma boa de explicar a decepção de Grenouille, mas pode confundir).

Frustrado, vai embora, começando uma caminhada de volta à Paris. Com o Perfume no bolso, sabe que detém de um poder que lhe pode proporcionar qualquer coisa, pois faz as pessoas amarem. Mas já nada importa, pois sabe que com toda riqueza e todo poder que poderia ter, nada disso lhe faria ter seu próprio cheiro, ser alguém, e mais importante “...não podia cheirar a si mesmo e, por isso, jamais saberia quem ele era”.
E constata sobre o Perfume, e seu próprio paradoxo “...o único que alguma vez o reconheceu em sua verdadeira beleza fui eu, porque eu mesmo o fiz. E ao mesmo tempo sou o único a quem ele não pode fascinar, não pode deixar fora de si. Sou o único para quem não tem sentido.”

Quando Grenouille relembra a cena da praça pensa: “...As pessoas, no entanto, acreditavam que desejavam a mim, e o que elas realmente desejavam permaneceu um segredo para elas.”
Grenouille não tinha lá muito discernimento, mas sabia olfativamente, e portanto do que havia por trás das aparências e dos desejos alheios. Ele não podia se beneficiar da cegueira aromática ao qual detinha o conhecimento. Além disso, Süskind parece também fazer uma analogia com quantas vezes acreditamos querer algo ou alguém, mas que no fundo é por sua fragrância que nos completará em nossa suposta também inodoriedade em algum aspecto, no desejo secreto de também revelar nossa própria identidade...

Grenouille chega à Paris, ao mesmo local do seu nascimento, ao mesmo cheiro.
Mistura-se ao redor de uma fogueira - como sempre, sem ser notado - entre os ladrões, prostitutas, assassinos, desesperados, famintos. E ali derrama em si todo o conteúdo que carregava do “Perfume”, e após um momento de maravilhamento das pessoas, é por elas devorado.
Ou melhor, Grenouille atira contra ele a arma mais poderosa que tinha em mãos, o amor.

Saindo de Grasse, Grenouille havia decidido morrer. Já tinha experimentado viver com as pessoas e se refugiado delas, e nem uma ou outra ideia lhe agradava. Sabia agora que, devido a ignorância das pessoas, não alcançaria o reconhecimento desejado. Na verdade caira na própria armadilha, o “Perfume” na Place dus Cours também distinguira o que havia de mais profundo no coração de Grenouille...

“....O que ele sempre havia desejado, ou seja, que as outras pessoas o amassem, tornava-se, no instante do seu êxito, insuportável, pois ele mesmo não as amava, mas as odiava. E de repente soube que jamais encontraria satisfação no amor, mas tão-somente no ódio, no odiar e no ser odiado.”

Grenouille descobrira que o amor das outras pessoas não lhe trazia satisfação, não só porque não era atribuído para ele próprio, mas principalmente porque não ama as pessoas, não consegue amá-las, nem é inebriado do “Perfume”. A possibilidade de sua sobrevivência sempre fora na ausência do amor. Conclui que não pode externar nada verdadeiramente seu, que não o ódio.
“...Uma vez, uma única vez, queria ser considerado em sua verdadeira existência e receber de outra pessoa uma resposta ao seu único sentimento verdadeiro, o ódio.”

Grenouille caminha pela história como personificação de como na maioria das vezes caminha - dentro e fora - o Mal... nas sombras, imperceptível mas incômodo, sugador, destrutivo, disfarçado, inodoro. O seu senso de “...ter sentido”,está na existência do seu oposto, e por ele se atrai. Porém, se rendido ao amor, unifica-se e morre.
Podemos ver também o paralelo acima sob a ótica de um Grenouille-ego. Um dia, dentro de uma caverna, bêbado das memórias aromáticas, sonha com névoas e descobre que não É, e sai em busca de uma identidade e de reconhecimento, que não encontra na sua elaboração egoísta.

A obra de Patrick Süskind primeiro nos convida à uma viagem fora da lógica, e nos conta muita coisa, muito mais que a história de um assassino... metáforas ao mal, ego, identidade, poder, manipulação, pureza, carisma. Também conta nos um pouco dos aromas vegetais, da destilação à vapor, enfleurage, notas olfativas, da vibração que os aromas naturais exercem sobre as pessoas. E nas entrelinhas conta-nos de Espírito, Unidade, Agora, Insights, Amor... porque sua obra tem o tema “Essência” !
Talvez Süskind se sinta como seu personagem “...Os outros só se submetem ao seu efeito, sim, nem se quer sabem que se trata de um perfume o que sobre eles atua e fascina.”.

“O Perfume” é sinônimo de “O Amor”.
Não do amor de um homem por uma mulher, pois Grenouille fareja o que precisamente o atrai, despreza o corpo. Interessa-lhe a essência, a aura perfumada, e o poder que emana dessa centelha divina e viva além da matéria “... a temível beleza”a fragrância do Amor Maior. Todo o desejo íntimo de aquisição de Grenouille está fora da matéria.

Patrick Süskind, ao meu ver, faz uma grande e genial metáfora na história de O Perfume, criando um elo essencial entre Vida e Amor :

“...recém-nascido Grenouille se decidira contra o amor e, mesmo assim, a favor da vida.”(*2)

Amor e Vida, pulsação única universal, além do tempo e do nosso pequeno entendimento.
Grenouille recém-nascido contra o amor, passa sua trajetória na melhor das hipóteses como um farsante. Escolhera vida sem Vida.
E o desfecho, desta história enigmática fecha a mandala da sua existência.
Jean-Baptiste Grenouille rende-se. Retorna a sua origem - para por Amor, ser enfim consumado !

“...Embora o estômago lhes pesasse um pouco, seus corações estavam bem leves. Em suas almas sombrias havia, de repente, um clima eufórico. E em seus rostos repousava um suave brilho de felicidade, um brilho de donzela. Daí talvez o pudor de alçarem o olhar e se olharem nos olhos. Quando o ousaram, primeiro furtivamente e depois abertamente, foram obrigados a sorrir. Estavam extraordinariamente orgulhosos. Pela primeira vez, haviam feito algo por amor.”
Fim


video

A cena que escolhi é a do encontro com Laure. Pela interpretação de Ben Whishaw, pela fotografia
 e sobretudo pela música que substitui a transmissão do aroma, e o faz maravilhosamente.

18 Outubro, 2010

Garden State/ Hora de Voltar (Filme)



Um filme que diz : viver às vezes dói, e tudo bem também - melhor que a apatia.
O personagem faz sua alquimia, a partir de encontros e reencontros de afeto. 
Traz uma certa leveza e docilidade... para temas tão complicados.

Sintoma = Juntando pedaços

por Pedro Paulo Monteiro (www.pedronotempo.blogspot.com)
.
O que é um sintoma? A etimologia da palavra “sintoma” vem do grego, que quer dizer juntar os pedaços: sin(juntar) tomo(pedaço). Juntar as peças de várias sinalizações orgânicas ou psíquicas, assim como num quebra-cabeças. Isso é o que eu faço no meu dia-a-dia terapêutico. 

Seria bem mais fácil se a linguagem de nosso organismo fosse linear – como eu aprendi na faculdade – Ou seja, baseado em causa e efeito, antes e depois. O tempo correndo numa direção determinada. Mas não é bem assim.

Quando pensamos num sintoma, naquilo que nos faz mal, pensamos o que o causou (passado). A linearidade tem como condição prévia a noção de tempo. Por exemplo: “Eu estou enjoado porque comi algo que me fez mal”. Simples demais. Nem sempre podemos pensar num sintoma como algo que nos provocou (passado) o mal-estar. Temos de pensar de outra maneira: “Eu não me sinto bem, então procuro algo para comer que me fará mal para justificar o meu estado”. Quantas vezes ficamos com raiva e descontamos na comida? 

É mais fácil pensar que algo externo nos provocou algo. Aprendemos isso pela física newtoniana, não é mesmo? “A cada ação corresponde uma reação igual e oposta”. 

Seria mais verdadeiro, mais honesto com nós mesmos se soubéssemos que nada está fora. Somos nós os nossos próprios construtores. 

O tempo não é partimentalizado, uma coisa depois da outra (ideia de sequência). O tempo é criação de nossa consciência lógica. O nosso modo de pensar foi produzido a partir dessa noção, mas não quer dizer que as coisas sejam assim. 

Ontem foi solucionado um sintoma de um paciente que há três semanas estava a incomodá-lo. Ele apresentava uma dor no ombro esquerdo (aspecto feminino), e não conseguia compreender a relação entre o ombro e o feminino. Na última semana, eu disse para ele ficar atento a qualquer figura feminina que porventura pudesse entrar em contato com ele. Então, ele abriu as portas da percepção, e naquela mesma noite recebeu a visita de uma mulher, que não o via há vinte anos. Ele tinha sido o seu primeiro amante, e não conseguia deixar de se culpar por abandoná-lo sem justificativas. Ela surgiu para justificar a sua partida. Ele a perdoou e o sintoma desapareceu por completo. 

Pode parecer estranho, mas estamos interligados por campos morfogenéticos, como Rupert Sheldrake menciona em seus trabalhos. Campos estes que nos unem e nos fazem. 

Nunca devemos deixar nada para trás. Aquilo que não resolvemos, acaba por nos cobrar uma atitude, mesmo que seja muito tempo depois. São sintomas que se revelam para nos mostrar um caminho mais justo. 

Quando resolvemos um emaranhamento relacional nos libertamos para seguir em frente.

16 Outubro, 2010

Filhos do Paraíso - Filme



Quando aluguei esse filme, a atendente da locadora o colocou ao lado da bochecha e disse : 
- Esse filme é tão lindoooo.....
Depois, vi um comentário assim : que filme bobo, sem pé nem cabeça...

Esse filme é curioso, pois o final pode ser decepcionante para quem não se encantar com processos... nem se ater aos detalhes. É um filme que pode ser "concluído" de duas maneiras :
- Pelo mesmo olhar da criança, que só lhe é possível ver seu pequeno universo, ou:
- Observar o olhar restrito do mundo dos pequenos, mas se encantar em ver toda a sincronicidade que vai acontecendo e favorecendo as crianças, mas que não podem possuir a compreensão disso, pois são : crianças ! E sutilmente nos conta das facilidades x luta (desnecessária). O vilão do filme é a própria inocência, com o pano de fundo da pobreza, mas quanto eles são enriquecidos pelas mesmas circunstâncias !

Mais curioso ainda é que adultos assistem ao filme sem entenderem, pois também o viram pelo mesmo pequeno universo do olhar infantil, ou da luta, ou da recompensa exata.

Independente de tudo isso, o filme é uma graça, a menina do filme é um encanto, além de um ritmo gostoso, nada monótono, ficamos torcendo pelo sapato e pelas crianças, e que em nenhum momento também deixa de ser nossa própria criança interior ! 
Agora, achar mesmo que valeu vc assistir ao filme, vai depender de um bocadinho a mais de observação ou quem sabe: maturidade.

14 Outubro, 2010

Crianças - Pedidos Fundamentais

Esse texto é ótimo - lembrei de mim quando pequena, do quanto eu testava meus pais, aí viramos adulto e nos esquecemos... -  essa mensagem vêm a calhar com o mês dos pequeninos, os brinquedos fazem parte, mas esses pedidos abaixo são fundamentais :

O Pedido de uma Criança a seus Pais

Não tenham medo de serem firmes comigo.
Prefiro assim.
Isto faz com que eu me sinta mais seguro.

Não deixem que eu adquira maus hábitos.
Dependo de vocês para saber o que é certo ou errado.

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que eu peço.
Só estou experimentando vocês.

Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo.
Isso me afastaria dEle.

Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis.
Ficarei extremamente chocado quando descobrir um erro em vocês.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam.
Isso irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito da intolerância.

Não tenham vergonha de dizer que me amam.
Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros.

Não desistam jamais de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo.
Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.

Fonte : Seicho-no-ie.

Noivas - Filme - Olhares



Filme grego de Pantelis Voulgaris com produção de Martin Scorsese - Noivas é um filme obra de arte, delicado. Com uma personagem forte. Nesse nenhuma ref. ao olfato ou aromas. Esse é um filme que sutilmente explora o olhar, tanto da mescla dos personagens que os traduzem em olhares fortes, doces, apaixonados, medrosos, astutos, tristes... quanto da bela fotografia ! Fica de dica.

12 Outubro, 2010

O Livro de Eli - Olfato !



Olhando pela capa e até pelo trailler acima, este é daqueles filmes que eu jamais pensaria em locar, só tendo sido recomendado (e por pessoa de alta confiança ! rs).
Mas é um filme bom d+, e assim como Avatar e outros nos dá uma visão profética nada animadora. Mas opa, espero que ainda tenhamos a possibilidade de mudar e manter o planetinha, e sim depende da ação de cada um !
Faz uma reflexão de como aquilo que é mais sagrado, também pela lei da polaridade é profana - em mentes astutas e fracas.
Denzel Washington empresta uma dignidade simplesmente Perfeita ao personagem ! Está lindo !
Bom, mas tanto em Avatar, como em O Livro de Eli - há referência ao sentido olfativo aguçadíssimo. No O Livro de Eli isto é REALMENTE referência.
No mais... assistam ao filme, tem surpresa ! E assistam sem nem perguntarem o quê para não estragar - mas prestem atenção desde o ínicio...

08 Outubro, 2010

Pausa



"Você sabe na cabeça, mas você não sabe no coração. Existe uma extraordinária distância da cabeça para o coração: uma distância de dez, vinte, trinta anos ou toda uma encarnação. Você pode saber algo na cabeça por quarenta anos e isto pode nunca ter tocado o seu coração. Somente quando você souber isto no seu coração você ficará realmente consciente disto." - Carl G.Jung
.


Uma amiga me respondeu a mensagem acima, dizendo que uma professora sempre lhe dizia que, as mudanças verdadeiras ocorriam quando conseguíamos dar um laço entre cabeça e coração. Retribui o comentário e acabei me inspirando ao escrever mais ou menos isso :
.
"É, como Jung disse pode levar uma vidinha... O que sua professora disse tem bem sentido. Para algo acontecer é preciso 2 pólos - como neg. e pos. na energia elétrica, como óvulo e espermatozóide que dão origem a uma vida, como uma semente precisa da terra (ou de um meio) e recebe água para brotar e então tb... como cabeça e coração. O que talvez esqueçamos é que em todos os casos, há uma ordem... é o mesmo que sempre por natureza dá, enquanto o outro sempre por natureza recebe, e depois retribui em criação !
No caso da cabeça, esta precisa pausar a conversa mental, se colocar no Eterno Agora, para que possa ouvir/receber as instruções do coração ! Disso nasce o sentimento, que comanda ações legítimas."
 .
Bom, não é preciso ir longe, para perceber que há séculos estamos invertendo a ordem natural das coisas...  

10 Razões para o uso de Óleos Essenciais

Procurando por outra coisa, achei um artigo sem autoria na web, com uma tradução ruim, adaptei um bocadinho :

1. oxigênio para as células: óleos essenciais puros oferecem altos níveis de oxigênio para as células criando uma atmosfera onde os patógenos não conseguem sobreviver. (via olfativa)

2. rico em antioxidantes: óleos essenciais são ricos em propriedades antioxidantes, que os tornam resistentes à infecção, mantendo a saúde. (via olfativa, dérmica)

3. Íon negativos : óleos essenciais criam um ambiente de íons negativos, que são hostis a patógenos e outros agentes causadores de doença. (via difusão ambiental)

4. imunoestimuladores: muitos óleos essenciais são imunoestimuladores, isto é, impulsionam um sistema imunológico enfraquecido, ajudando assim a um bom funcionamento do corpo. Lavanda, Limão, Tea Tree são exemplos. (via olfativa, massagem)

5. propriedades anti-germicida: a maioria dos óleos essenciais tem função na natureza como anti-virais, anti-fúngicos, anti-parasitas. Logo, isso ajuda a eliminar a possibilidade de infecções por micróbios. (via difusão ambiental, olfativa, dérmica)

6. capacidade de romper barreira sangue-cérebro: óleos essenciais são lipofílicos, ou seja atravessam a barreira  sangue-cérebro, sem dificuldade. (via olfativa)

7. freqüência elétrica: devidamente extraídos os óleos essenciais têm frequências elétricas que levantam o corpo para uma frequência de nível superior, tornando-o livre de doenças. Óleos essenciais puros tem uma frequência elevada, entre 52 a 320 MHz. (via difusão ambiental/aúrica, olfativa)

8. endorfinas para o bem-estar: quase todos os óleos essenciais estimulam a liberação de endorfinas, que criam uma sensação de alegria no corpo. As endorfinas conseguem relaxar o corpo, aliviando o estresse físico e emocional. (via olfativa, difusão ambiental)

9. quelantes naturais: a maioria dos óleos essenciais têm a capacidade de conduzir as toxinas (elementos metálicos) para fora das células. (via olfativa, oral sob orientação)

10. nutrientes vitais: todos os óleos essenciais fornecem oxigênio e outros nutrientes vitais para as células desnutridas, criando uma sensação de plenitude e bem-estar. Logo, eles curam da maneira mais natural possível.(via olfativa, massagem)

06 Outubro, 2010

Dança - Dúnia La Luna - Percussão


Bom, eu fui aluna de dança do ventre de 2008 até o início do inverno deste ano, e agora sinto vontade em retomar as aulas ! De vez em quando procuro vídeos para ver os movimentos, apreciar... E este da Dúnia (www.dunia.com.br) é um espetáculo de quadril ! Aliás tem muita coisa bacana no youtube de N bailarinas pelo mundo todo...
Quando assistimos um sarau de dança ou a um show, a técnica fica em segundo plano, importante é o quanto o corpo expressa, brinca e baila com os movimentos aprendidos, às vezes a bailarina é novata e no entanto nos toca profundamente, sempre nos colocamos no lugar da bailarina que se apresenta, 
talvez por isso as mulheres saibam apreciar melhor a dança do ventre do que os homens, é o que acabamos constatando... uma "bela" apresentação, é uma química... vemos com os olhos da alma mesmo..., é como se a figura da bailarina e toda técnica se transformassem em pano de fundo, e o que emergisse à frente fosse a alma da bailarina, e isso só quem assistiu uma boa apresentação sabe do que estou falando !
Num vídeo como é o caso aqui, não tem a mesma interação que ao vivo, no vídeo a técnica aparece mais, mas também notamos a descontração da bailarina, a doação em expressar os movimentos do seu corpo para o público, enfim todo o conjunto.
Para a mulher a dança do ventre é massagear orgãos , explorar o corpo todo, ganhar consciência corporal, e acaba sem dúvida elevando a estima ! Pois, além de um domínio sobre especialmente ventre e quadris, são véus, brilhos, miçangas, cores... rs, além da irmandade que acaba se formando entre as alunas.
Dançar é mexer com um turbilhão, é se integrar nos movimentos do Universo... é se permitir girar com ele, por isso foi sempre movimento de celebração. Fonte de prazer e de alegria !


Nossa, eu só ia postar o vídeo da Dunia, mas me empolguei... Enfim, há coisas esquisitas mas tb tem muito vídeo bacana no youtube, da Dúnia mesmo há particularmente outros 2 que também adoro, é só digitar lá Dunia La Luna, dança do ventre, danza del vientre, bellydance, tribal bellydance...

02 Outubro, 2010

Momento Presente Sempre !

"Quando a base para nossas ações é o alinhamento interior com o momento presente, elas se tornam fortalecidas pela inteligência da Vida em si" E. Tolle