18 janeiro, 2009

Semelhante atrai semelhante - Quando a mente dita regras no jogo da afinidade olfativa

por Milene Siqueira


Quando recebo as pessoas para conhecerem e sentirem os óleos essenciais é sempre surpresa.
É interessante ver a reação sobre cada vidrinho, há repulsas, adorações, lembranças da infância ... às vezes pontadas súbitas na cabeça... rejeições profundas e paixões que parecem nutrir!
Bom, você que não passou por uma experiência olfativa com óleos essenciais, deve imaginar ao ler que há duas classes de cheiros: os em geral bons, e os em geral não tão bons – mas não é bem por aí... há cheiros adoráveis, mas que para alguns são intoleráveis, e vice-versa! Por isso o que é mais encantador é ver as reações antagônicas de cada pessoa sobre um mesmo aroma.
Fico olhando cada vidrinho como a chave de um enigma pessoal, onde a escolha através do sentido olfativo vai revelando sobre a alma alheia.

Também há reações das pessoas adversas ao esperado! Como, por exemplo, tenho visto a Lavanda ou a Camomila que é indicada à insônia e bons sonhos, e para a maioria é bem feliz no que manda a tradição... mas de repente para alguém.... não é isso que acontece, o sono fica agitado, em alguns casos podem até surgir pesadelos!
Trabalhos da mente, toxinas sendo liberadas? Também. E além... vamos tentar entender porque tudo isso acontece...

Bom, primeiro é difícil descrever toda a complexa função que um óleo essencial desempenha sobre as emoções, sabemos pinceladas sobre, deduzimos, sentimos, lemos, e a experiência também vai nos contando a respeito, mas acredito que revelar tudo em palavras sempre será pouco para explicar o que não é tangível, afinal estamos tratando de algo complexo e etéreo... Mais: cada um que faz contato cria sua própria afinidade - é seu aroma pessoal, condicionamentos, experiências... tudo vai criar uma terceira química: a sua própria alquimia.

Mas porque as rejeições?
Eu penso que o mundo perfeito na Aromaterapia, “seria” que gostássemos ou que pelo menos não nos fossem repulsivos os aromas, isso porque não gostar me parece uma forma menos constrangedora de dizer: não aceito.
E portanto não aceitar é não acolher, é como se tivéssemos na mente um muro, pronto a ser erguido em defesa daquilo que ainda não estamos prontos a ser ou a estar.
Se então, minhas vibrações são diferentes daquelas que um óleo essencial traz como mensagem, eu o rejeito, meu corpo vai ter desconfortos para encaixar algo que é de outra formato – e quanto mais diferente, mais repulsivo. Ou melhor - quanto menos minha mente crê em mim daquela forma, mais não quero, não posso ver, muito menos sentir.

Acontecem transformações também, não gosto do aroma, porém começo a fazer uso dele, mesmo sem gostar, e muitas vezes acontece de ser bem sucedido, o início é complicado, mas insisto, e dali a pouco não é que estou até gostando dele...? Ou seja a vibração do aroma encontrou encaixe, porque eu acabo de alguma maneira cedendo espaço interno para a adaptação. Essa permissão se dá pelo meu reconhecimento de suas diferenças comigo, mas sobretudo do reconhecimento das suas qualidades, vou respeitando, me entregando, e isso faz com que eu me abra à sua mensagem e assim acabo me rendendo à ele! Acontece!!


Fazer meditações com a escolha de um óleo essencial que não lhe é tão agradável, pode ser bem revelador!
Essa é uma forma, outra é que os aromas indesejados servem para delatar, pontuar meus limites, porém em trabalho paralelo com a terapia vou me adequando (depende de como cada pessoa lida com as mudanças) a novas percepções, e então começa a haver uma nova postura olfativa, onde aí ele ganha novo sentido e entra em sintonia com essa nova necessidade.

Na maioria das vezes percebo que os bloqueios são bem sabidos por quem os tem, e então os defende, fica uma marca limitadora naquilo que "ainda" não se permite. Quando o aroma que trabalha essa questão entra pelas narinas... o escudo aparece!
Mas tem também as rejeições ligadas a traumas ou cheiros que ficaram estigmatizados, como rosas x funeral, por exemplo. Essa marcação do sistema límbico sempre será superior a origem do cheiro por si, sendo difícil, substituir a lembrança a que ele remete. Mas é possível desassociá-lo removendo sua 'forma'.

E existem preferências, eu gosto mais de..., isso é comum e perfeitamente natural, compreensível e também mutável!

Já recebi pessoas que pareciam necessitar de determinado óleo, porém o rejeitaram, ok, deu para perceber que a sintonia estava bem diferente, e sem que a pessoa desejasse uma mudança. Em outros casos, mesmo que a sintonia ainda fosse outra, o desejo e a consciência em buscar estar em outra sintonia era nítida, assim como a escolha correta pelo óleo que a facilitaria na mudança!

Temos uma ressonância nítida com nossas crenças!
A frase aqui poderia ser com as necessidades. Mas não, é com aquilo que acreditamos. Ao mudar crenças, eu mudo minhas necessidades, preferências, gostos. Me adequo ou me limito.

Então, na prática como é quando alguém me procura para experimentar os aromas?
Peço que a pessoa inale uma quantidade de aromas que vou selecionando. E que vá me relatando suas impressões. O objetivo maior é que ela identifique suas preferências. Escolhemos 2 ou 3 que mais gostou, e peço para que a pessoa utilize via Inspira, colar, aromatizador, como perfume, óleo de massagem ou medite com ele, a forma de uso segue de acordo com a rotina da pessoa e suas necessidades. Procuramos entender um pouco suas escolhas, como também repulsas, que podem ser informações a serem compartilhadas quando a pessoa está em acompanhamento terapêutico.

A escolha inicial pelos aromas que a envolvem, é simples e natural. É confortável e mágico quando a pessoa reconhece seus eleitos! Estamos assim dando forças às suas qualidades e crenças positivas. Em nova análise pode ser chegada a hora de experimentar novos aromas, inclusive os mais complicados ou pode acontecer da “consciência” olfativa ter modificado. Poderemos então optar por um único óleo ou fazer uma sinergia.

Importante citar também que existem mudanças, assim como alteramos comportamentos, desejos, nossos gostos pessoais vão nos acompanhando nessa trajetória, isso pode variar em meses, anos, semanas, depende de como cada um faz escolhas ao longo da vida, e o sutil cheiro da nossa pele também se modificará – tudo é holístico – e uma mudança, pequena que seja, altera o todo. E veremos pessoas com a mesma postura por toda uma vida, essas provavelmente irão gostar por longo tempo das mesmas coisas e portanto dos mesmos cheiros!


Nota : Com perfumes, a relação de afinidade descrita é bem parecida, porém muito do que há disponível nas prateleiras das perfumarias é sintético, ou com pequena parcela de óleos naturais. E quando tratamos de óleo essencial, estamos descrevendo sobre essência natural e pura, e portanto do código genético que a Natureza assim criou.

2 comentários:

Anônimo disse...

Miii, adorei o texto, achei bem esclarecedor, principalmente pra quem tem vontade de começar algum contato com aromas e fica com algum receio por não entender direito como funciona....mas pra quem já conhece tb.....

Taya

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny

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