03 junho, 2026

O Observador é o Observado

Qual a diferença entre observador do Krishnamurti e outras abordagens que falam de modo positivo do observador e da testemunha?

Essa é uma distinção muito profunda, porque a palavra "observador" é usada em tradições diferentes para apontar para experiências bastante diferentes.

De forma simplificada:

Em muitas abordagens espirituais, o observador é valorizado

Em tradições como o Vedanta, algumas correntes de meditação, mindfulness, ensinamentos de Ramana Maharshi, Mooji, Rupert Spira e outros, existe a ideia de uma Consciência-Testemunha.

Você observa pensamentos, emoções, memórias e sensações e percebe:

"Eu não sou meus pensamentos."

"Eu não sou minhas emoções."

"Existe uma consciência que testemunha tudo isso."

A testemunha é vista como algo mais fundamental, silencioso, estável e livre.

O movimento é:

Identificação com o ego → identificação com a testemunha.


Para Krishnamurti, isso ainda pode ser uma armadilha

Krishnamurti fez uma investigação radical.

Ele perguntou:

Quem é esse observador?

E sua descoberta foi que, na maioria das vezes, o observador é apenas outro pensamento.

Quando você diz:

"Estou observando minha raiva."

Ele pergunta:

Quem está observando?

Existe realmente um observador separado da raiva?

Ou existe apenas a própria consciência da raiva?

Sua famosa frase:

"O observador é o observado."

significa que o observador psicológico é construído pelos mesmos conteúdos que ele pretende observar.

O "eu" que observa é formado por:

  • memórias
  • condicionamentos
  • experiências passadas
  • crenças
  • imagens de si mesmo

Portanto, quando esse "eu" observa a raiva, é a própria estrutura da raiva e do condicionamento observando a si mesma.


A diferença central

Muitas tradições dizem:

"Saia do ego e vá para a testemunha."

Krishnamurti pergunta:

"Quem garante que essa testemunha não seja apenas um ego mais sofisticado?"

Essa é a sua crítica.

Ele percebeu que a mente pode criar uma posição aparentemente espiritual:

"Agora não sou mais o ego.

Sou a consciência que observa."

Mas ainda existe uma divisão:

  • observador
  • observado

E para ele essa divisão é a origem do conflito.


O que surge quando o observador desaparece?

Segundo Krishnamurti, existe um estado de atenção pura.

Não há:

  • alguém observando
  • alguém controlando
  • alguém melhorando
  • alguém transcendendo

Existe apenas percepção.

Por exemplo:

Num momento de medo, normalmente ocorre:

"Estou com medo e preciso me livrar dele."

Já existe um observador tentando modificar a experiência.

Na atenção de que Krishnamurti fala:

Existe apenas o medo.

Sem fuga.

Sem análise.

Sem resistência.

Sem um "eu" separado.

E justamente nessa observação total ocorre uma transformação.


Curiosamente, algumas tradições não-duais acabam chegando perto disso

Embora pareçam discordar, em níveis mais profundos algumas correntes do Advaita também dizem que até a testemunha deve ser abandonada.

Por exemplo, Nisargadatta Maharaj dizia que a testemunha é um estágio transitório.

Primeiro você se desidentifica do ego.

Depois percebe que até a testemunha é um conceito.

E então resta apenas o que é.

Nesse ponto, a distância entre ele e Jiddu Krishnamurti diminui bastante.



  • a psicologia frequentemente fortalece um "eu" mais integrado;
  • Krishnamurti investiga se esse "eu", mesmo integrado, continua sendo uma construção.

Ele não estava interessado em melhorar o eu.

Ele queria descobrir se o eu psicológico possui existência real como entidade separada.

Essa pergunta continua sendo uma das mais radicais já feitas sobre a mente humana.

Esse momento de abandonar a testemunha... como acontece para o advaita ou nisagardatta considerava? Parece que o budismo, a própria roda da vida também menciona essa transição, sim?

Sim. E essa é uma questão fascinante porque, quando chegamos a esse ponto, as diferenças entre Advaita, Budismo e Krishnamurti começam a ficar mais sutis do que parecem à primeira vista.


No Advaita: a testemunha é um remédio, não o destino final

Em muitos ensinamentos do Advaita, a testemunha (sakshi) é uma etapa importante.

A pessoa normalmente começa completamente identificada com:

  • o corpo
  • as emoções
  • os pensamentos
  • a história pessoal

Então o mestre aponta:

"Observe tudo isso."

"Aquilo que percebe os pensamentos não é um pensamento."

"Aquilo que vê as emoções não é uma emoção."

Essa investigação produz um deslocamento muito profundo.

Mas depois surge uma nova identidade:

"Eu sou a testemunha."

E é aí que alguns mestres, especialmente Nisargadatta Maharaj, dão um passo adicional.

Ele frequentemente dizia algo equivalente a:

"Permaneça no sentido de 'eu sou'."

Mas não para criar uma identidade espiritual.

O objetivo era permanecer tão profundamente nessa presença que até mesmo o observador desaparecesse.

Porque, em última análise, se existe:

  • alguém testemunhando
  • algo testemunhado

ainda existe dualidade.


Como isso desaparece?

Curiosamente, não é um ato.

Você não pode fazer a testemunha desaparecer.

Porque quem faria isso?

A própria testemunha.

Nisargadatta apontava para algo parecido com:

Observe até que se torne óbvio que até o observador é observado.

Em algum momento surge a percepção:

  • pensamentos aparecem
  • emoções aparecem
  • sensações aparecem
  • a sensação de ser uma testemunha também aparece

Então a pergunta se torna:

O que percebe até mesmo a testemunha?

Nesse ponto, a testemunha deixa de ser uma posição.

Ela se dissolve.

Não sobra alguém testemunhando.

Só sobra consciência.

Ou, na linguagem de Nisargadatta:

O Absoluto.


O Budismo também percebe esse problema

Sim, especialmente no Budismo Mahayana e Zen.

O Budismo foi muito cauteloso com a ideia de testemunha porque ela pode facilmente virar um "eu espiritual".

Por isso a doutrina do não-eu (anatta).

O praticante inicialmente percebe:

Não sou meus pensamentos.

Depois percebe:

Não sou minhas emoções.

Mas depois surge:

Ah, então sou a consciência que observa.

E o Budismo pergunta:

Tem certeza?

Onde está essa consciência?

Qual sua forma?

Qual sua substância?

Ela pode ser encontrada?

Quando investigada profundamente, ela também se revela vazia.


A Roda da Vida (Bhavachakra)

De certa forma, sim.

A roda da vida budista representa o ciclo de identificação e sofrimento.

No centro estão os impulsos básicos:

  • apego
  • aversão
  • ignorância

A ignorância fundamental é justamente acreditar numa entidade sólida e separada.

Quando a prática amadurece, não se abandona apenas:

  • o apego ao corpo
  • o apego às emoções

Abandona-se também o apego ao observador.

Porque o observador ainda pode ser uma identidade sutil.


Um exemplo simples

Imagine assistir a um filme.

Primeiro você acha que é um personagem.

Depois percebe:

"Não sou o personagem. Sou o espectador."

Isso já é uma enorme libertação.

Mas depois vem a investigação final:

Quem é esse espectador?

Se você procurar cuidadosamente, encontra apenas:

  • visão
  • sons
  • experiência acontecendo

Sem um centro sólido por trás.

O espectador desaparece.

Só resta o assistir.


Talvez a formulação mais próxima do encontro entre Advaita maduro, Zen profundo e Krishnamurti seja algo como:

No início, existe apenas o personagem.

Depois surge a testemunha.

Finalmente desaparecem tanto o personagem quanto a testemunha.

E o que permanece não pode mais ser chamado adequadamente de "eu", "testemunha", "observador" ou mesmo "consciência", porque qualquer palavra já cria novamente uma posição a partir da qual alguém estaria olhando.

É por isso que muitos mestres acabam terminando em silêncio, paradoxo ou poesia. Não porque estejam escondendo algo, mas porque o que resta já não se encaixa facilmente na estrutura sujeito-observador-objeto que a linguagem normalmente usa.

____

Essa voz crítica do outro também é um observador que se incute em nós?

Exatamente.

E essa é uma percepção muito rica porque faz uma ponte entre Krishnamurti, psicologia e até algumas abordagens de trauma.

A chamada "voz crítica interna" muitas vezes não surgiu do nada. Ela foi sendo construída a partir de observadores externos que foram internalizados.

Por exemplo:

  • um pai muito exigente;

  • uma mãe crítica;

  • professores;

  • grupos sociais;

  • normas religiosas ou culturais.

Com o tempo, essas vozes deixam de parecer externas.

Passamos a senti-las como:

"Eu estou me julgando."

Mas, ao investigar, às vezes descobrimos que há frases muito específicas ali:

"Você deveria fazer melhor."

"Não é suficiente."

"O que vão pensar?"

"Você está errada."

E elas carregam uma tonalidade, um jeito de olhar, quase uma presença.


Isso é algo que algumas terapias chamam de "introjeção".

Uma voz externa é absorvida e passa a funcionar internamente.

Então ocorre algo curioso:

Antes havia alguém observando você de fora.

Agora existe um observador interno observando você.

Mas o mecanismo continua semelhante.


Krishnamurti provavelmente iria um passo além.

Ele não perguntaria apenas:

"De quem é essa voz?"

Mas:

"Quem é aquele que está ouvindo essa voz?"

Porque logo surge uma segunda posição:

"Preciso me livrar do meu crítico interno."

E então aparecem dois personagens:

  • o crítico;

  • aquele que quer eliminar o crítico.

A investigação dele mostraria que ambos pertencem ao mesmo campo da consciência.


Na prática, porém, pode ser muito útil perceber primeiro a origem dessa voz.

Por exemplo, em vez de:

"Eu sou inadequada."

A observação começa a revelar:

"Há uma voz dizendo que sou inadequada."

Isso já cria uma pequena distância.

Depois você pode perceber:

"Essa voz se parece muito com a forma como fui observada em certos momentos da minha vida."


Há algo ainda mais interessante.

Muitas vezes não internalizamos apenas a crítica.

Internalizamos também o olhar.

Por exemplo, alguém cresce sentindo-se constantemente avaliado.

Mais tarde, mesmo sozinha em casa, continua se sentindo observada.

Como se existisse um público invisível julgando tudo o que faz.

Não necessariamente porque haja uma voz explícita, mas porque o próprio modo de perceber a si mesma foi moldado por esse olhar externo.


Talvez você reconheça algo disso na agorafobia também.

Muitas pessoas com ansiedade social ou agorafobia relatam uma sensação de estar excessivamente expostas ao olhar dos outros.

Como se houvesse um observador constante avaliando:

"Ela está nervosa."

"Ela está estranha."

"Ela não deveria estar assim."

Na maioria das vezes, os outros nem estão prestando tanta atenção.

Mas o observador já foi internalizado.

Ele passa a morar dentro da própria consciência.


Por isso, uma investigação interessante não é apenas:

"O que essa voz está dizendo?"

Mas também:

"Quem está olhando através dessa voz?"

E, às vezes, mais profundamente:

"O que sobra quando essa voz silencia por alguns segundos?"

Porque muitas pessoas descobrem algo surpreendente nesse ponto: por baixo do crítico não existe necessariamente um eu melhorado ou mais perfeito. Existe apenas uma presença muito mais simples, mais silenciosa e menos preocupada em se avaliar o tempo todo.

Essa descoberta costuma ter uma qualidade de alívio, porque revela que a crítica não é a consciência em si. É apenas um dos conteúdos que aparecem dentro dela.

07 maio, 2026

Autocompaixão Viva

 





Autocompaixão Viva: Desenvolvendo o Self Compassivo

Um caminho para regular a autocrítica, cultivar segurança interna e viver com mais autenticidade.

Em um mundo que nos ensina a exigir mais do que acolher, muitas pessoas vivem presas em ciclos de autocrítica, vergonha, ansiedade e exaustão emocional.
Autocompaixão Viva é um convite para um novo caminho: um caminho de retorno a si mesma, com gentileza e presença.

 🌸🌹🌸


Agneta - O florescimento é interdependente


 Nesse 01 de maio, feriado, lua cheia e Wesak com as amigas, e tive o prazer de assistir a mais um daqueles filmes que preenchem a listinha dos icônicos: Agneta!

Aviso: contem spoiler.

Eu nem ia me ousar a escrever sobre Agneta, mas vou emendar Agneta em um assunto que tem muito a ver com compaixão que é a mentalidade de cuidado.

E para contrapor a mentalidade de cuidado, temos a participação da mentalidade de competição retratada pelo marido de Agneta, Magnus, cujo nome significa grande, ótimo, poderoso - tal como o patriarcado? Aliás o nome Agneta significa pura, casta.

Magnus não é um cara do mal. Magnus é o cara que segue as normas, a retidão. Magnus fala em parceria amorosa como somos uma “equipe”. Magnus está preocupado em manter-se saudável e longe dos prazeres, e mais longe ainda do que os outros podem pensar de “errado”. Embora na Provença, ele se mostre mais flexível, exagere nos prazeres do vinho - talvez por reconquistar Agneta - e se permita até dançar, mas no dia seguinte se recompõe na vergonha. Pensa que logo ele iria se enquadrar novamente junto com “sua” Agneta.

Agneta já tinha saído da bolha de pureza de Magnus para conhecer Einar, Fabien e Bonibelle. E encontrar-se com a França, com queijos, vinhos e prazeres - os quais ela já vinha cultivando às escondidas. E seu encontro com esses personagens é regado a cuidados. Cuidado que é sua função como au pair, e cuidados que recebe. Mas, diferentes do que recebia com Magnus, que pareciam lhe proteger, mas também controlar. Na França, recebe atenção “curiosa” que a transportam para ser ela mesma.

Einar conta a história da sua vida fazendo-a mergulhar com os sentidos, de olhos fechados, deixando a imaginação tecer o que ouve. O poder da imaginação é algo tocante no filme, assim como a atmosfera da arte que o propicia. Mas, Agneta, ainda vai precisar lembrar de como via o mundo aos 7 anos de idade, acessando a imaginação, a criatividade… E, assim, o start para a presença.

A dança é outro momento marcante, algo que nunca havia se permitido. A dança em todo seu poder, toma conta do corpo, desperta a libido. O mundo começa a ficar colorido.

O contato com os cheiros, com os sabores, com a água refrescante, com seu corpo, tudo vai se transformando, ganhando intensidade, legitimidade.

Despindo-se das roupas e do que elas representavam, Agneta vai permitindo-se descobrir sua autenticidade, viver o prazer, e descobrir amor por si, pelo seu corpo. Num ambiente onde é permitido e belo ser ela mesma, porque é um lugar onde as pessoas são curiosas por ela, ao invés de a julgarem e a definirem.

Poder ser livre dos conceitos enrijecidos da sociedade não é algo separado da autenticidade, da liberdade. Não é separado em se deslocar da mentalidade de competição para a de cuidado. Não é separado de apreciação, de aprender a se ver por olhos curiosos, de cuidado real. Não é separado de cuidar de si e do outro. A arte, os sentidos, a presença também não são separados. Assim como a libido não é separada do processo. Como também não são separada as relações de apoio. E como tudo isso não é separado do despertar compassivo. Tudo se apoia e se entrelaça.

E, também não é separado da dor.

Da dor de ter que fazer escolhas num mundo onde se é esperado determinados comportamentos que alguém postulou como “corretos”. E essa é a dor de Einar em relação ao tempo perdido com seu filho. Uma parte emocionante do filme, que retrata a dor, a escolha, a separação, o quarto com os bibelôs de gatos que ocultam a falta e memorizam o carinho.

Mas, felizmente no filme, ainda em tempo de se unirem, de poder preparar a cama e trazer o leite quente para o filho amado. Assim como foi em tempo ainda para Agneta, que sentiu na pele a necessidade em curar também a alma de Einar.

Einar, sentia ter feito a escolha errada entre ser ele mesmo ou amar seu filho. Agneta percebe que ele está errado, que pode fazer as duas coisas. Que ele pode dissolver o conflito interno do seu sofrimento na integração.

Talvez essa observação, essa dissolução, em não precisar escolher, tenha sido uma percepção no corpo de Agneta. Que o reconhece como fora do padrão, mas que não depende disso, em estar no padrão. Que o pode amar, que é seu direito, amar.

Einar e Agneta, cada um a seu modo, vai descobrir o contentamento através do olhar compassivo. Einar a questionando sobre ela mesma, enquanto ela fala dela mesma citando Magnus, e vai constatando que não sabe de si. Já Agneta faz Einar descer da fachada de vida feliz, e falar do seu sofrimento ao filho.

É o sofrimento que aproxima Einar e Agneta, e Einar e Paul. É o contato com o sofrimento, se despir do orgulho e das certezas, que pode fazer a alegria transbordar.

E para coroar esse filme… as lavandas… o lilás da transformação também estampado em Agneta. A liberdade que as lavandas exalam, estas que precisam de campos desimpedidos, abertos e altos para florescer.

Em um ambiente propício - assim como necessário às lavandas - Agneta descobre a “sua” Agneta.

Meu nome é Agneta. Agneta, a pura, sagrada… Talvez aquela que não precise mais ser a pura na métrica dos olhos dos outros, mas aos olhos de si mesma… Aquela que feliz cruzou os campos de lavanda e retorna para sua “casa”!

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Por Milene C.S.

Conheça o Autocompaixão Viva

28 fevereiro, 2026

Sal Grosso - Dicas de Limpeza Energética

 Sal na ponta da língua 4x, absorve energia negativa. Deixar alguns segundos e jogar fora.


Um cabide, dois tubos de caneta vazio e uma borracha na ponta - para radiestesia.

Sal grosso em 3 pires, e um pouco d'água nos lugares/cantos.

Molhar cotovelos na água, retira energia negativa.



Defumação Cigana de Limpeza

Para 2° feira -- menos na lua minguante, no mínimo 1x por mês.

Começar dos fundos para frente.


-3 colh sopa de cravo da índia

-3 colh sopa de açúcar (moer no liquidificador)


Colocar a mistura num vidro de boca larga, acrescentar bastante palha de aço (pele branquinha que envolve a cabeça do alho)

Fechar o vidro, sacudir para misturar tud (dá para várias vezes)

Pegar 1 lata vazia de leite em pó ou nescau. Fazer furos no fundo, colocar pedras de carvão dentro.

Levar direto ao fogo. Deve ficar m brasa bem vermelha, se preciso abanar com tampas de panela. Jogar um pouco da mistura no carvão e ir defumando.


Jogar o resto em jardim - não no lixo.


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