15 junho, 2011

Yin Yang - Compreendendo (1°/2 parte)


Por Milene Siqueira
__________

"No verdadeiro âmago de uma flor, de uma semente ou de um botão de folha, há um ponto do qual a energia emana e do qual o crescimento procede. Desse ponto, a semente brota, a flor desabrocha. Se você cortar uma maça ou um repolho pelo meio, pode ver que se propaga de um ponto central. Se examinar cuidadosamente a flor em botão a folha ao despontar, a semente, o fruto, ou a planta, e dissecá-los até chegar ao seu núcleo, encontrará... nada. Na verdade, há apenas uma coisa, uma energia, uma consciência, mas no momento de manifestar a si mesma torna-se yin e yang. Quando buscamos saúde e harmonia, tentamos achar esse ponto de equilíbrio entre yin e yang."
(Robert Tisserand)


Primeira parte: Compreendendo 
(Influência do patriarcado e o real sentido vibratório da polaridade) 

Yin e Yang, palavras do taoismo chinês que designam a dualidade energética.
Yin é atribuído ao feminino receptivo e Yang ao masculino projetivo, não quanto a fisiologia dos sexos, mas primordialmente como quantitativos energéticos complementares, pois tanto o homem quanto a mulher o possuem.
Yin contém Yang, Yang contém Yin, sempre. 

Equalizar essas energias dentro e fora de nós, seria harmonicamente : ora ceder, ora impor limites; ora iniciar, ora concluir; ora despertar, ora descansar... na constante contração (receber) e expansão (entregar). Se isto não acontece, o fluxo fica acelerado (yang) ou contido (yin).
Para exemplificar, imagine os ritmos e sistemas binários em nosso corpo como: respiração, pulsação, hemisférios cerebrais, glóbulos brancos e vermelhos, a imagem do DNA, etc.

Mas o descompasso é uma realidade, e é retratado até mesmo em épocas, e que moldam nossas condutas sociais:
Lá se passaram mais de três milênios, quando muitas culturas foram marcadas pelo domínio do feminino (o matriarcado-yin), período que é difícil retratar, pois os registros são tão antigos que restaram os arqueológicos, além do que a ideia era essa mesma: não deixar vestígios ou disfarçá-los... para a soberania patriarcal (yang). Mas, dos anos 60 para cá, estamos vendo o patriarcado enfraquecer em nossa cultura, e a uma década isso fica ainda mais evidente. Fato é o grande número de pessoas já administrando suas vidas sem depender diretamente de autoridade ou de patrão; no caso das mulheres é mais explícito, pois não se depende mais do "marido financeiro"; influencia na atualidade a disponibilidade tecnológica e o habitat  virtual, pois permitem maior autonomia e liberdade, é a era digital (binária); e o próprio crescimento da Internet, que até é considerada território feminino, mas não só pelo número de “yins” que “tecem redes” sociais, tem diários virtuais, se comunicam, enfim, que bem sabem “colher” nestes “sítios”...  mas porque a Internet e o lado yin, tem em comum a tal globalidade!

Embora muitos ainda pensem e vivam com uma ideia de domínio, ou de que agora seja a “revanche das mulheres” estamos é caminhando (ou melhor, engatinhando) e nos moldando a uma nova e melhor situação – que não deve ser mais de domínio unilateral, mas de união e equilíbrio dinâmico - só que tudo é ainda tão novo, que está mesmo só germinando! O que parece ser a “vez das mulheres” é a energia yin reverberando e que pode ser vista em homens também. As mulheres,  por sua vez, tem partilhado mais das suas qualidades yang (projeção, iniciativa), e daí que se destacam em território antes habitado somente por homens.

Mas, é claro que nisso tudo, tanto homens quanto mulheres estão perdidos ao terem ainda velhos padrões para funcionar em novos campos energéticos. É até curioso, mas muitos dizem que o tempo está passando mais rápido, se notarmos que tempo é yang e que espaço é yin, veremos que há bastante sentido na expressão popular!

Os homens, que viveram há poucos anos o rígido modelo patriarcal, eram liderança ou subordinados ao masculino, detinham o domínio como grupo de força projetiva, e então é normal que se sintam mais temerosos do que as mulheres - que vinham “driblando” a situação há um looooongo tempo. Se o yang de um homem que sempre foi dominante sobre seu yin, se vê com seu yang “rendido” fica fácil este se aventurar em jogos, traições e vícios como tentativa sombria de pertencer ao grupo, de reafirmar seu poderio yang -  atitudes inconscientes e das quais a mente precisa compreender os valores reais! Em nossa cultura, homens tem relatado em consultório medo desta “nova” mulher que impõe seus direitos, e tem sofrido mais de baixa autoestima e depressão, o que até pouco tempo era atribuído quase que exclusivamente às mulheres. Na verdade é a inabilidade com o seu yin, que foi “castrado” em todo o sistema patriarcal.
Lembrei-me agora de homens que há décadas atrás se suicidavam com armas de fogo (poder fálico) por derrota “patrimonial”...
Mas as mulheres também sofrem nessa transição onde não há muito conhecimento e lucidez - o que é compreensível pois é esta geração que tem reescrito a história que nossos ancestrais levaram anos para qualquer mudança significativa. Nesta recente inclusão feminina no mundo corporativo e competidor (yang), ou como “chefes” de família há uma tendência maior de ver mulheres com energia yang acentuada, o que as faz estarem com um maior domínio do intelecto sobre a intuição, excesso da valorização exterior, dificuldades com o lado receptivo, turbulências emocionais, e uma “dureza” sentimental e corporal.
Em muitas casas a ordem antes conhecida do homem como provedor se inverteu, e é sabido o grande número de mulheres que se sobrecarregaram de tarefas e que passaram a sustentar física e emocionalmente seus lares - aliás, uma boa parcela que apresenta quadros de endometriose representa claramente esse novo papel da provedora (yang), onde o endométrio se faz presente fora da sua região natural de expansão. A mulher pode sim prover, mas deve juntar a vibração oposta/complementar que é a de se conscientizar do mesmo sentido merecedor em receber (yin) (os homens que eram os provedores não tinham problemas, pois iam para casa receber: alimento, roupa lavada, casa arrumada, atenção, etc); a mulher pode exercer muitas atividades (yang), desde que dê atenção ao yin, que é o descanso/relaxamento proporcional. E claro que o mesmo vale para homens.

Da preocupação, queixas e do surgimento de muitas síndromes femininas, surgiu o resgate do sagrado feminino, o que ajuda, mas nem sempre conscientizam da importância dos pólos arquetípicos.
E da preservação da natureza depende fundamentalmente a presença do “feminino” - conservar, cooperar e sustentar são adjetivos YIN - e cuidar de nosso ar, águas, e das florestas que já foram suficientemente desbravadas (yang) é emergencial.
Assim como é preciso educar mais sabiamente nossas crianças que cuidarão deste planeta. Vejo muita confusão na educação, parece que quando educam excluem o amor, e que quando amam não educam. Educar é saber dizer sim e não, o que não exclui disto o amor que é principio único (sem dualidade). Num sentido geral, antes era tudo proibido, agora é tudo permitido, é preciso equalizar ! Criança quer saber até onde pode ir, e testa o limite dos pais para aprender os seus próprios.

E Deus criou o céu (yang) e a terra (yin)...
E da argila (terra) fez o homem (yang), e de uma de suas costelas fez a mulher (yin)...
Se yang é o impulso de energia, yin é a consolidação; se yang é dilatação, yin é a contração; se yang é pergunta, yin é a resposta. E então fica claro que para toda ação (yang) existe uma reação (yin), e compreende-se o axioma de que é dando (yang), que se recebe (yin).
Porém, antes de yang ser manifestação, yin é o não-manifesto. Portanto a inspiração, a intuição e a espiritualidade podem ser consideradas yin em relação a yang. Yin (terra) molda yang, e estará contida em yang (costela). Nossas inspirações (yin) precisam ser encarnadas (yang), e assim yin (res)surge, complementa. A percepção/mente intuitiva (yin) caminha um passo antes da mente racional (yang), que as ordena.
No simbolismo do Gênesis, parece que antes que existisse a pergunta, yin já era a resposta!

Abaixo alguns atributos de yin/yang:

  • Yang – masculino; provedor; foco/individual; competitivo; prático; extrovertido; vontade; força; mental; solar; construtivo; rápido; aterrador (conectado); quente.
  • Yin – feminino; receptivo; sistêmico/global; cooperativo; detalhista; introspectivo; sabedoria; resistência; intuitivo; lunar; instrutivo; paciência; oceânico (abrangente); frio.

O yang do homem e da mulher deve ser empreendedor, ativo e focadosem perder seu yin, que é sua sabedoria, globalidade e sensibilidade.

Para o “benefício” do patriarcado, tratou-se de interpretar escrituras milenares como o I Ching, atribuindo o yin a mulher e o yang ao homem, e fazer da mulher servidora do homem, isso causou prejuízo ao yin masculino e grande sofrimento às mulheres. Porém a interpretação chinesa real, segundo Fritjof Capra, não era essa:  “... os antigos chineses acreditavam que todas as pessoas, homens ou mulheres passam por fases yin e yang. A personalidade de cada homem e de cada mulher não é uma entidade estática, mas um fenômeno dinâmico resultante da interação entre elementos masculinos e femininos”.

Esta interação é fator importante e se dá por relatividade, por isso, o movimento deve ser dinâmico, é como uma dança, que oscila do ponto da nossa personalidade para com o ambiente, pessoas e situações. Se este ritmo é harmônico, o ponto de equilíbrio se mantém. Se isto não ocorre, uma energia pode ocupar um espaço  que não lhe é natural, havendo predomínio de uma sobre a outra (excesso), onde a vibração de yang será excessivamente acelerada ou de yin excessivamente contida, gerando deficiências e sobrecargas e não manifestando a potencialidade de cada uma, pois uma só se equilibra em função da outra, são antagônicas e interdependentes.

Yin está associado a contenção, abrangência e subjetividade. Yang à aceleração, restrição e objetividade: 

No homem ou na mulher, alguns sintomas de excesso de Yin são :
Acolhedor em excesso; dificuldade tomar iniciativa, decidir ; ideias confusas; dificuldade em separar eventos (emocional); dificuldades financeiras quando dependa de empreender; pode ser lento, melancólico e disperso; alienação; ambiente desorganizado, acumula muitas coisas; no corpo, facilidade em reter água e pele flácida; movimentos contidos; voz baixa, opina pouco; dependência ; depressão; adiamento; pessimismo; timidez; sonolência; alta sensibilidade; vida social ou familiar “árida”; pouca energia; doenças crônicas (implosão).

E do excesso de Yang :
Pode ser raivoso, explosivo e agressor; aceleração mental ; dificuldade em ver o todo (racional);  desconexão interna; corpo tenso, não relaxa, falta movimento harmonioso; otimismo eufórico, quer convencer; dita condutas; rigidez moral, e portanto são muito seletivos (tendência a racismo, especismo, etc); metódico; dorme pouco; voz alta e/ou fala ininterrupta, lança palavras sem ouvir o outro; movimentos extravagantes; exaltação; impaciência; vida social ou familiar “cheia”; ansiedade; muita energia; doenças agudas (explosão).

Em alguns excessos há um equilíbrio natural, se, por exemplo, há muita atividade (yang) é normal que precise-se dormir muito (yin), se uma pessoa está com predomínio de yang e não faz atividades tende a ter insônia, ou seja, precisa “gastar” yang (energia) para dormir bem ou usar elementos calmantes para compensar. E toda vez que uma vibração chega ao seu limite, transforma-se no seu oposto-complementar. Todos já ouvimos falar que depois da tempestade, vem a bonança. Ou de uma pessoa extremamente dócil (+yin) que “estourou” (yang). E é tudo equilíbrio ! Que claro, pode ser compreendido a tempo de que o excesso não ocorra. Normalmente não paramos para analisar o porque de uma atitude, e se há uma deficiência isso já faz parte da dificuldade pessoal - e quando o complementar aparece, é a natureza que de certa forma está se encarregando de nos ajudar a integrar/acolher, fazendo com que tenhamos mais compreensão e menos dificuldades !

Da boa permanência das uniões afetivas, também depende o bom equilíbrio yin/yang : “o casamento entre um homem e uma mulher depende de um outro casamento mais interior e definitivo : o casamento das forças yin e yang que também agem no interior de cada um dos sexos”( Ely Britto).
Uma das principais formas de aprender mais sobre nós e complementar nossa vibração é através dos relacionamentos. Mas com as mudanças sociais, a permanência das relações ficou instável, pois não prevalece tanto a dependência financeira ou a aparência social, que mantinha uniões no passado. Revela-se agora que a duração dependa de afinidades sentimentais e mentais com o parceiro(a), para que haja paralelamente o casamento mais importante que é o de cada um com sua própria divindade. O parceiro reflete seu interior no outro (complementando ao outro e a si próprio). E o que irá manter uma parceria é que após a atração, sejam cultivados o diálogo, compreensão, contato físico e a disponibilidade complementar, ou seja, que deem-se condições mútuas para que haja a integração.

Um dos hexagramas mais favoráveis do I Ching é o 8 original (Fu Hsi), quando o trigrama de K'un (terra/yin) está em cima e Ch'ien (céu/yang) em baixo, é o hexagrama da Paz, do encontro, dos movimentos que se complementam, é quando tudo prospera porque o céu está na terra ! 
A Integração dos “diferentes"... do nosso feminino e masculino, do potencial de nosso pai e mãe e de nossos ancestrais em nós, do inconsciente com o consciente, da vontade com a realização, do sagrado com o profano, da ciência com a filosofia, do som com o silêncio, da amada com seu amante... e tantos outros... será sempre a união alquímica, a pura potencialidade. 

referências :

- A Arte da Aromaterapia, Robert Tisserand
- O Ponto de Mutação, Fritjof Capra
- I Ching - Um Novo Ponto de Vista,  Ely Britto
- O Tarô Zen, de Osho  (Arcano XIV - Integração)


>Clique aqui para ler a segunda parte (Integrando - Aliados da harmonia).


2 comentários:

Simone Campanhã Dipti Gota de Luz Doce manifestação da luz disse...

Milene,

Muito legal sua pesquisa e trabalho.

Namastê!
Simone

Simone Campanhã Dipti Gota de Luz Doce manifestação da luz disse...

Milene,

Muito legal sua pesquisa e trabalho.

Namastê!
Simone

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