17 fevereiro, 2022

Ao Mistério

 





Quando permitimos que aconteça o bem, aquilo flui, e é como se fosse um tempo vivido com todo o significado de amor do mundo.

No momento em que estamos ligados ao outro e dizemos, do fundo do nosso ser, da nossa essência, "que aconteça o melhor", isso é poderoso.

Ana Claudia Quintana Arantes



Hoje faz um mês que você se foi do plano físico... e ontem foi lua cheia de novo... e agora acho que sempre vou lembrar de você também quando olhar a lua cheinha...

É curioso como a perspectiva de tudo vai aumentando a cada dia, e mais e mais significados vão se compondo no belo... 

Hoje ouvi uma gravação que tinha te enviado para combinar o encontro... era início de ano ainda, e eu reforcei o meu desejo pra você de um ano com coisas boas e gostosas, e com o mínimo de sofrimento, que ainda que ele - o sofrimento -  faça parte da vida, a gente aspira é por ser feliz. Eu ainda disse que nem precisava ter medo de mim!rs. Eu fico aqui pensando o quanto essas palavras ressoaram na sua alma... talvez fosse o que você precisava mesmo ter ouvido naquele dia para ficar confiante no seu chamado. E assim foi... o mínimo do mínimo de sofrimento (se é que houve!).

Sabe... você também me mandou logo de cara a foto do seu gato preto - o Jimi Hendrix!

E até quando eu mandei foto aqui da família, você disse: falta só o gato!

Eu teria adorado saber mais desse seu momento gateiro, e do Jimi. 

E agora acho que foi um jeito muito simbólico e especial, de você deixar um aviso de como se faria presente por aqui de alguma maneira, nesta vida entre vidas.

Na primeira semana peguei meu notebook pra escrever sobre as coisas não ditas. Como dizer que você tava ótimo, e que gostei da roupa e das meias vermelhas, de contar o que tinha vivido nesses dias intensos da tua energia por aqui, do quanto te sentia comigo desde comecinho de novembro... tantas conversas que teríamos sobre tantas coisas a serem exploradas... Esse lugar da mudez é de início de uma frustração terrível (penso ainda demais sobre essa escolha entre o que dizemos e pelas quais deixamos de dizer!) - e senti então a necessidade de arrumar um jeito de te contar. Nessa noite, acabo deixando a porta do meu quarto aberta por causa do meu gato que tinha chegado molhado da rua...  E não é que de madrugada entra no meu quarto um gato preto igualzinho ao seu Jimi? Eu vejo a sombra, sei que não é o meu Tânio, ele chega próximo, mas se assusta e sai. 

Achei que nunca mais veria suas mensagens que eu sabia que tinha no messenger... mas no domingo resolvi tentar de novo, e encontrei! Foi surpreendente ver que você foi no mesmo dia e mês de um dos seus amigos, que você tinha me contado por lá e ainda pedido para eu rezar por ele! E eu fico pensando no que isso significaria... que tava tudo ok para ter sido assim nesse exato dia? Que confiava na minha reza? Queee...  enfim, não sei por enquanto... 

Ainda revi (e por isto também cá escrevo!), a mensagem bonita da Martha Medeiros, que diz no final "a única coisa que nos imortaliza  - mesmo - é a memória de quem amou a gente."

Tantas mensagens tuas em tantos anos, de tantas formas, que é impossível não se emocionar diante da tua não desistência. Um arrependimento por não ter falado com você antes - mas também um bálsamo por termos tido tempo de se amar, por essa despedida de ciclo.

Então é dia 15, e estou lembrando das mensagens e emotiva, apoiada na janela em frente a lua quase cheia. E avisto o tal gato preto. Acho que também nunca vou esquecer dessa cena... do nada, uma silhueta quase imperceptível desenhada na escuridão entre os telhados. Ele vem na minha direção, passa no telhado da frente, vira, para e senta diante de mim com seus olhos verdes... e fica assim... me olhando...  E claro, que eu me acabo de chorar, ao mesmo tempo em que nem acredito no que acontece! Foi mesmo mágico.

Sabe, que também é curioso lembrar das imagens aleatórias ou vozes tuas, que vinha no meu pensamento, em cada semana que se passou antes de te encontrar... elas também foram me contando um pouco sobre teus anseios...

E de todas as conversas que tivemos, de como tudo se encaixa.
Da tua resposta ao meu desejo para você de um Feliz 2022 (um coração e um gif de um ser se expandindo em luz!). 
De como eu acredito que você teve tudo naquela manhã, sobre a resposta do que agora significava amor pra você (vontade de ficar junto, intimidade, prazer, descoberta, tranquilidade, confiança, superação!).

Você disse que eu era muito importante pra você, e provou.

Então, por tudo, vou ganhando certeza que o essencial foi mesmo dito, o essencial foi feito. 

Que por mais que a mente ache que podia ter sido isso ou aquilo diferente, 
o que resta ainda é perfeição.

E no meio a esses mistérios todos, e das dificuldades e ausências, o que eu mais sinto mesmo é Gratidão.

Por você não ter desistido.

Por de alguma maneira a gente ter se escolhido.

Por todo aprendizado compassivo, que foi muito além da teoria.

Pela superação.

Pelo tempo de tudo.

Pelos sonhos, sinais e avisos.

Ao apoio dos familiares e amigas.

Aos mestres, ensinamentos e apoios espirituais.

E, sobretudo, grata por termos confiado no chamado da Alma, do Espírito, do Mistério.





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